Aos comentaristas enfurecidos

Pra onde vai a tua empatia e de onde vem esse reservatório de venenos explícitos, gratuitos e ansiosos?

Pra onde vai a tua bondade e a tua compaixão quando o outro se põe vulnerável e divide contigo o seu jeito de pensar? Por que teu ouvido se torna impaciente e tua língua se torna violenta, assediando e derrubando as pontes que tentam se formar?

Pra onde vai a tua humanidade que não consegue enxergar que se existe de várias formas, que as pessoas não são de um modelo só e que o bom do mundo é diversificar? Por que tua verdade é tão frágil que precisa de pedras afiadas para se solidificar?

Pra onde vai o teu respeito quando precisa bradar com todo o ar do peito que é o único correto? Por que te dói tanto dividir o pódio com seus — queira você ou não -, irmãos?

Pra onde vai a tua fé que não sabe ver no outro a mesma graça, seja ele de Amém, de Blessed Be ou de Axé. Seja ele da crença que for, por que te assusta crer que ele também é?

Pra onde vai tua inteligência quando teus argumentos se resumem ao mais baixo vocabulário, como se fosse uma competição de humilhação. Você, no seu furor, se envergonha muito mais que o outro.

Pra onde vai a tua verdade quando a tecnologia te garante o anonimato?

Pra onde vai você quando ninguém te vê?