Não me responsabilizo pelos erros dos outros: meu olhar sobre as “discórdias” no Serviço Social da UFRRJ

Eu sou Giuliana, uma menina-mulher cheia de sonhos e desejos que busco na infinidade de possibilidades do ser ou não- ser razões que agreguem a minha estadia nessa vida, que façam de mim um ser humano mais coerente, pra (e por) mim e pelos meus.

Sou fruto do amor entre Ivo e Heloisa, que mesmo que hoje já não viva mais, ainda vive, na interpretação mais paradoxal dessa frase, pois eu vivo e esse amor está eternizado na minha existência.

Nesse texto eu falo a partir do lugar que estou, também (e isso porque a academia é uma das faces da minha trajetória, ela não é exclusiva, eu não sou SÓ o que aquele espaço quer de mim ou as estratégias que eu crio pra me manter naquele lugar, sou muito mais), como estudante de Serviço Social da UFRRJ. Dei entrada, ao lado de mais 39 pessoas, no semestre de 2015.2. Somos a primeira turma e acho que é quase unânime a sensação de que somos “privilegiados” por um lado, mas por outro “só a gente sabe a dificuldade que é”.

Percebo hoje que no curso existe uma generalização quanto ao comportamento da minha turma, por parte do corpo docente, discente e técnico-administrativo, que recai, sobretudo, sobre nós estudantes negras que-não-puxam-saco-de-professor. Acontecimentos passados fizeram com que fossemos taxadas (nós como turma) como imaturas, irresponsáveis, dentre outras desqualificações que nem sei escrever.

Acontece que o corpo branco não sente da mesma forma o impacto que é estar nesse espaço acadêmico racista e elitista. O corpo branco não se incomoda nem sofre com as represálias das suas próprias atitudes, não da mesma forma. Digo isso porque vivencio e observo das amizades próximas o processo de adoecimento acometido, dentro outros motivos, pelas ações irresponsáveis de alguns alunos. Principalmente pelas consequências dessas ações.

Portanto, eu venho encarecidamente dizer que eu não me responsabilizo pela atitude tomada por x pessoas no passado, as consequências dos comportamentos benéficos ou maléficos deles não deve recair sobre mim. Eu venho ser porta-voz de mim mesma e de quem mais se sentir abraçado por esse discurso: Não me rotulem, não me desqualifiquem. Eu sou um ser, eu sou um corpo que sim, ocupa esse espaço, mas que também abriga dentro de si muitas outras histórias e possibilidades.