Estamos devendo terapia

Ultimamente, tem chegado até mim muitas pessoas — jovens — dizendo que acham que vão morrer logo. Curiosamente, essas pessoas são pouco apegadas a algum tipo de fé. Mas o que é ainda mais curioso é que, inconscientemente, dizer isso é um ato de se punir pelos tão julgados “excessos”. Porque somos educados para focar no negativismo, no moralismo e a nossa mente julga o tempo todo o que vê fora, que dirá, o que se passa dentro.

Julgamos: o excesso de bebida, de comida, de drogas/remédios, o pouco sono, a pouca atividade física, o muito estresse e, provavelmente, algum tanto de sexo sem proteção adequada pode ser colocado nessa conta. Mas o mais sério: pouca qualidade de vida e excesso de pensamentos melancólicos. Nunca tivemos tanta gente depressiva no mundo, dizem as estatísticas. Muito tédio, poucos amigos e muita complicação, eu diria. Pouca paixão! Pelas pessoas, pelo trabalho que se executa, pelos estudos, pela vida.

E nem vamos falar do batalhão de gente anestesiando as próprias emoções para não sofrer. Nem tem como fazer crítica a isso, porque acomete a quase todos em algum momento de desilusão. Mas não precisamos viver assim para sempre.

Quem me conhece, sabe que eu adoro o tema Morte e Vida. Mas mesmo assim, eu fico bastante perplexa quando percebo que as pessoas estão sendo mais espontâneas para falar que acreditam que vão morrer logo, do que para falar um ‘eu te amo’. Quando foi que paramos de aceitar amor? Quando foi que morrer virou solução? Será que isso é consequência de tanto nos referirmos aos falecidos dizendo que eles “partiram dessa pra melhor”?

A gente segue deixando tudo para amanhã. E a verdade é que agora resolvemos deixar pra depois da morte. Será que estamos tão cansados assim para desistir de nós mesmos? Para não viver no Presente? Bem, se você tem depressão, sugiro que não tente resolver essa equação sozinho. Eu mesma precisei de muita ajuda para me superar.

E o que nós podemos fazer para parar de criar tantos problemas? Como poderia ser a vida para que ela pudesse ser mais atrativa de ser vivida? Você poderia pegar mais leve consigo mesmo e com os outros? Poderia criar a sua realidade de convivência com um pouco mais de gentileza?

Eu sei que esse assunto é complexo e só pedir para que você deixe a aceitação e o perdão tomarem conta de você mesmo pode ser pedir muito. Veja bem, eu disse “eu sei”. Existem muitas questões envolvidas e cada caso é um caso. Mas não hesite em procurar ajuda antes que seja tarde demais. Pedir ajuda é só para os fortes, só para quem tem coragem e comprometimento consigo mesmo. Ficar aí dando uma de forte e fazendo piadas vazias para os seus amigos é perda de tempo. Se a vida não te cobrar com a morte do corpo físico, ela vai te cobrar com a morte da alma. E ser um morto vivo é muito triste, vai por mim.

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