Outra

L’ultimo giorno di Pompei — Karl Pavlovič Brjullov

Hoje acordei cansada, cansada de mim, cansada do que sou, cansada do que sinto. Acordei querendo ser outra, passar por outros caminhos, andar com outros pés…pés menos calejados, menos vagos, menos machucados e com sapatos menos apertados. Queria pôr-me uma máscara, queria tornar-me tal e por um longo instante ter a oportunidade de ser-me, de inteirar-me, de conquistar-me.

Sonho com outros invernos e outras primaveras. Que aquela seja mais fria, mais intensa e mais profunda, mas que desperte o meu intrínseco, e que esse meu eu sofra, mas sofra sozinha, sem influência de outros e, que consequentemente tenha autonomia para controlar o frio hospedado em meu corpo. Entretanto, que eu tenha a oportunidade de aquecer-me, pois um dia há de chegar a primavera, e dessa eu não espero nada, apenas que eu floresça, que eu renasça e que eu seja regada.

Cansei do mesmo esmalte vermelho, velho, sem vida e sem novidade, cansei de não ter paciência em trocá-lo ou retirá-lo, cansei das pessoas que assim como os esmaltes, estão na minha vida sem vida e que não tenho coragem de retirá-las.

Acordei com vontade de cobrir os espelhos, ou melhor… Acordei querendo ver-me no espelho, enxergar-me no espelho e reconhecer-me diante deste. Porém desejo ver-me sem uma máscara, desejo ver-me marcada de frio, floreada de primavera, desejo ver-me sem esmalte e sem calçado, mas principalmente conquistada por eu mesma, dona de meu próprio reflexo e de meu próprio espelho.

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