Tudo passa


Quando era adolescente (não faz muito tempo, oka?), a modinha da vez era aqueles colares de coração que você partia no meio e entregava para sua melhor amiga. Era bobinho mas mudou minha vida.

Minha adolescência foi normal e sem solavancos. A palavra bullying não existia mas já rolava solto. Eu era tímida, tinha dificuldade de me conectar realmente com as pessoas mas seguia, firme e forte, sabendo que era uma fase. Tinha minha turminha de amigas e fazia de tudo para ter a aprovação do grupo em que participava e de todos a minha volta. Que adolescente nunca fez isso, huh?

Tudo caminhava até que bem até chegar o colar-de-coração-destacável, toda turminha trocar as partes do coração com suas melhores amigas e eu ficar sem nenhum pedacinho. O primeiro tapa na cara a gente nunca esquece e dói, gente, dói muito. Tinha feito de tudo para ser aceita mas parecia que não era digna de um pedacinho de metal que trazia a mensagem “você é minha melhor amiga”. Fingi que nem tinha percebido que fiquei de fora, sofri calada até que perceberam o fato e tentaram disfarçar o ocorrido. Continuei fingindo que aquilo não me abalou porém vivi o que todo ser humano viveu ou vai viver um dia: o deslocamento.

Ah, como eu queria saber dessas coisas naquela época. Esse ocorrido influenciou muito nas minhas atitudes dali pra frente e fiquei muito introvertida, com medo de ser excluída mais uma vez em qualquer situação. Até que um dia comprei um colar de coração, dividi ao meio e dei a outra parte para mim mesma. Afinal, eu sou a minha melhor amiga.

A vida vem e ensina. Sempre.