Outro jeito de abraçar a angústia

Giu Spina
Giu Spina
Aug 25, 2017 · 2 min read

Não escrevo só para o mundo, escrevo pra mim. Pro mundo que tem dentro de mim. Ás vezes eu piro. Piro mesmo. Me sinto travada, impotente. Relembro as sensações das vezes que precisei abrir mão de um sonho por conta de uma nota escrita em um papel, que hoje tá perdida por aí. Muitas vezes eu sou essa nota; me avalio, me cobro e me dou aquele peso 2 que equivale a “E”, mesmo não tendo a menor conexão com a realidade dos meus pensamentos.

E nessa onda de autocobrança eu escolho comer strogonoff frio, ao invés de esperar esquentar, mesmo sabendo que ele perde o sentido estando gelado. E sabe qual é a real? Se eu comesse o mesmo prato a noite seria diferente. E minha vida é meio assim, cada momento um novo desafio e pra cada desafio uma nova solução. Até porque na frase anterior eu senti medo – esse medo aí de vomitar palavras que não representam a angustia que carrego aqui – mas dando continuidade a essa frase já me sinto melhor retomando meu auto controle. Que doida, né? Devo ser mesmo. Todos somos um pouco. Apenas ando me esforçando pra externar minhas próprias contradições.

Escrever me ajuda a abraçar essa angústia e refletir para qual rota ela tá me levando e se eu tenho ou não a opção de desviar. Mas ela continua aqui: me perseguindo. Quanto mais eu sinto mais eu penso que lidar com um sentimento não é necessariamente encontrar um significado pra ele, mas sim abraçá-lo dizendo: “ei, eu to vendo você aí”. E dentre palavras e mais palavras termino essa outra frase abraçando um – quase – ponto final à espera de um próximo parágrafo de novas sensações.

Eu to pensando só em mim, sabe. Nesse descarrego. Até porque se fosse pensar no efeito que cada conjugação verbal reflete no leitor que julga desde o título eu reorganizaria todas essas palavras. Mas a minha verdade momentânea é que pouco me importa o olhar do outro sob uma melancolia que é inteiramente minha. Primeiro porque não desejo essa energia pra ninguém. Segundo porque eu serei a única responsável por acalmar todos esses hormônios em fase de crescimento. Por isso me sinto e digo “você tá insuportável mas ja já vai se mudar daí”. E assim percebo que o fim é só começo de um longo abraço que dou em mim.

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    vibro, sorrio, entristeço e sou, pela simples natureza de ser…

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