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Uber e Ifood são a principal renda de 3,8 milhões de brasileiros

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O setor empregador no Brasil está em crise desde 2014 após uma forte recessão econômica, gerando assim um duro impacto no mundo do trabalho. Com a falta de investimento as grandes empresas reduziram drasticamente o número de funcionários deixando muitos brasileiros sem emprego. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último semestre de 2018 eram 12,4 milhões o número de pessoas desempregadas por todo solo brasileiro.

Com a baixa nos trabalhos fixos, a onda dos aplicativos de serviço como: Uber, Uber Eats, Rappi, 99 Taxi entre outros,tem crescido em larga escala, e até mesmo quem não está desempregado usa os ‘apps’ nas horas vagas do trabalho para conseguir um reforço na renda no final do mês. Cerca de 3,8 milhões de pessoas das 23,8 milhões de autônomos do país declararam os aplicativos como como principal fonte de renda, afirma a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Imagem — Sandra Quintiliano

A analista e motorista em 5 aplicativos de transporte, Sandra Quintiliano, 38, nos conta mais como é trabalhar com os aplicativos de serviço e quais os prós e contras do trabalho “independente”.

Ctrl PUC: Há quanto tempo você trabalha na Uber?

“Eu comecei a trabalhar na Uber em 2015. Estou há 4 anos usando o aplicativo”.

Ctrl PUC: O que fez com que você começasse a trabalhar com os aplicativos de serviço?

“Eu comecei a trabalhar nos apps por conta da dificuldade em conseguir um emprego formal”.

Ctrl PUC: Atualmente em quais aplicativos de serviço você está cadastrada?

“Estou em todos! Uber, Cabify, 99Taxi, Wappa e Lady Driver. Para não ficar com tempo ocioso na rua sempre ligo todos e o que chamar, aceito”.

Ctrl PUC: A Uber atualmente é sua renda principal ou complementar?

“Há 3 meses os aplicativos passaram a ser a renda complementar, agora trabalho apenas no período da manhã usando os aplicativos porque consegui me inserir no mercado de trabalho”.

Ctrl PUC: Como foi o processo de adaptação quando começou a usar os aplicativos?

“Foi fácil me adaptar, mas com tempo o motorista tende a aumentar cada vez mais o tempo de serviço na rua para conseguir aumentar o valor recebido das viagens”.

Ctrl PUC: Você já sofreu alguma situação de machismo enquanto trabalhava?

“Nunca sofri nenhuma situação de machismo trabalhando nos aplicativos”.

Ctrl PUC: Você considera a Uber e os aplicativos de serviço de transporte em geral uma boa fonte de renda?

“Estamos trabalhando praticamente de graça. Não tem nenhum tipo de segurança em questão de estabilidade e os lucros despencaram. Reduziram o valor em dezembro de 2015 dizendo que a captação de passageiros seria maior, mas estamos em 2019 e esses 30% não voltaram ao normal”.

Ctrl PUC: Quais os pontos que precisam melhorar?

“Tem muito a melhorar! O motorista praticamente mora dentro do seu veículo para conseguir o sustento de sua família. Dirige muito e descansa quase nada. Muitos dormem dirigindo porque estão exaustos das viagens. Sem falar que a deterioração do veículo devido as condições do asfalto são enormes. O custo do combustível só aumenta. Os assaltos também.

Ainda mais agora que somos forçados a usar o adesivo de identificação, viramos uma presa fácil. Digo isso por experiência própria, já sofri 4 assaltos”.

Giovanna Morais de Almeida

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Aspirante a jornalista que acredita na mudança através da informação