A DIFERENÇA OLÍMPICA ENTRE BRASIL E OS ESTADOS UNIDOS É MUITO ALÉM DE MEDALHAS

O Brasil está menos distante do pódio de potência olímpica, do ponto de vista de medalhas, houve um singelo crescimento, graças ao aumento de verbas do governo para federações e confederações esportivas. Mas essa distância pode ser maior se for levado em consideração outro aspecto em relação as grandes potências do esporte: a escolaridade dos atletas. Nesse quesito nosso desempenho despenca e estaríamos ao lado das nações subdesenvolvidas da África e América Latina. Fazer com que governos e os próprios brasileiros entendam que antes da conquista do esporte vem a conquista da cidadania, ou seja, a educação, torna-se uma essencial tarefa para a posterioridade. E na condição atual do Brasil percebe-se que será difícil.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a maior potência olímpica que voltou a crescer e se distanciar dos rivais chineses e russos, cada atleta representa uma universidade. Por lá o esporte de alto rendimento começa nas escolas chamadas de High Schools, o nosso Ensino Médio, dando continuidade nas Ligas Universitárias. Isso representa que cada atleta que defende a bandeira americana tem no mínimo a graduação. Caso ele não vença no esporte, terá uma carreira no mercado de trabalho, como advogado, engenheiro, dentista, seja lá o que for. Muitos se tornam pesquisadores, com mestrado e doutorado, isso não é raridade entre os atletas. Isso explica a capacidade deles em vencer, segurar a emoção, mais concentração, hierarquia, faz diferença no resultado final.

O mesmo ocorreu com a China que apostou primeiro na escolaridade de seus atletas para atingir o topo em Pequim 2008. Nesse ano de 2016 o Reino Unido tomou a segunda posição da China, os atletas britânicos também se destacam pela alta escolaridade, seguidos de Rússia, França, Alemanha, Itália e até mesmo países do Leste da Europa. Fica assim mantida a velha geopolítica, do primeiro e terceiro mundo.

Qual problema que o brasileiro e seus governos tem em relação a educação e o esporte? Por aqui, a conquista do espaço na mídia vem antes da base. Estamos cansados de falar e repetir o mantra: é preciso investir na educação de base. Porém isso nunca ocorre. Nosso governante pensa na festa, na mídia, na vaidade em se expor ao mundo, um desejo de ser grande sem batalhar passo a passo, de forma consistente. Por aqui o sucesso olímpico é apenas um simulacro de uma realidade “fake” para convencer os gringos e até mesmo o povo do Brasil que de fato melhoramos e somos especiais. Há de se convencer a população que mais importante que o sucesso financeiro é o conhecimento, se educação não tiver relevância para as famílias, nada adiantará aumentar a verba, os repasses para Estados, será mais dinheiro jogado no lixo, pois, neste país governos e pessoas desqualificam a importância e o valor do saber.

Essa realidade inventada fica escondida nas velhas imagens e rótulos que se reforçam em épocas de Copa do Mundo, do Brasil festivo, do povo alegre, patriótico, da humildade, do pacifismo, da mistura racial, como se não houvesse uma divisão de raças no país muito evidente, como se não vivêssemos num estado de guerra civil permanente devido a criminalidade que ficara restrita a grandes cidades, porém se espalhou para o interior do país nessas últimas duas décadas. O discurso do político profissional continua sendo o de oferecer ao povo o manjado “pão e circo romano”, vender alegria, esconder as incompetências, perpetuar a corrupção, a burocracia para continuar abusando do populismo, tão proveitoso ao governante. Fazer festa é o remédio encontrado no Terceiro Mundo.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Global Informer’s story.