As bombas estão caindo do céu

As bombas estão caindo do céu. É 22 de abril. Eu estou andando pela rua, enquanto penso. Há muitos estrondos para todo lado. A cidade está correndo com suas motos e os seus carros. A avenida pulsa e é de pedra. É quente. É concreta. Tudo está para se quebrar. Mas eu prendo a respiração e tudo continua ainda inteiro. A cor da realidade é lisa. A noite segue o dia. Amanhã de manhã fará calor. Sentaremos no sofá e conversaremos enquanto o relógio trabalha. Há estrondos para todo lado. As ogivas caem do céu. Mas eu prendo a respiração, e fica tudo bem. Meia noite os meus olhos estarão vermelhos. E valerá a pena respirar. Os corações surrados estarão ainda batendo. Nada vai sair do seu lugar, do seu destino. Uma vida estará exposta ao bombardeio, e ninguém vai nem saber que nota isso. Eu prendo a respiração, enquanto o céu desaba em todo lugar.

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