O IMPACTO DO COVID-19 NO ECOSSISTEMA EMPREENDEDOR

Certamente, fomos ingênuos em utilizar o conceito VUCA para descrever o mercado e o ambiente de negócios nestes últimos anos

No momento da pré-pandemia não imaginávamos o impacto que este, até então pequeno e distante vírus, o COVID-19 teria sobre a economia, na forma como fazíamos negócios e com a própria forma de trabalhar. Achávamos que estávamos conectados até o momento em que a pandemia nos obrigou a nos isolarmos, pelo menos fisicamente. De lá para cá o conceito de trabalho mudou — ferramentas como Slack, Trello e MS Teams tornaram-se protagonistas da comunicação, as vendas foram reduzidas drasticamente e tivemos que repensar nossos negócios. Neste mesmo ambiente novas oportunidades se colocaram, o ecossistema empreendedor está sendo testado com desafios para combater o corona: as startups estão sendo chamadas ao seu dever de soluções rápidas para ajudar o poder público, hospitais e o próprio comércio a resistir a este momento.

O que pode parecer ser de terra arrasada, acompanhamos iniciativas com o objetivo de antecipar ações a este cenário instável e confuso, com o próprio meio empreendedor lutando pela sua sobrevivência, onde startups rapidamente geram ações de viabilização de seus negócios em meio a escassez e adaptam-se para salvar outros negócios de um naufrágio. Há também ações orquestradas em que o poder público consegue elencar prioridades e demandas, realiza o chamamento ao ecossistema empreendedor e as startups realizam a ação de solução em tempo recorde para atender a população ou setores estratégicos do governo.

Porém o que salta aos olhos nesta pandemia que tem um quê de desordem com a pitada de desespero são os inúmeros chamamentos do governo em editais de P&D — mas sem o “d” tão importante para transbordar os atuais conhecimentos das instituições à sociedade, do ecossistema empreendedor em fazer chamamento às startups através de “inscreva-se neste formulário” — mas que nunca retornam. As próprias startups tentando encontrar seu espaço ao sol enquanto veem seu capital sendo evaporado pela inação dos fundos de capital de risco — que por ironia, tornam-se conservadores neste momento e os bancos anunciam grandes ajudas ao mercado, mas que a real percepção é de contração das linhas de crédito.

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Photo by Milivoj Kuhar

Onde nos encontramos hoje permite que vejamos uma ou as duas faces dessa moeda, porém, é inegável que há uma urgência para adaptar-se, pois para muitos do meio empreendedor este momento será conhecido como “o filtro” — o que torna o nome autoexplicativo. Certamente, fomos ingênuos em utilizar o conceito VUCA para descrever o mercado e o ambiente de negócios nestes últimos anos.

Fica de aprendizado que “o filtro” está colocando fórmulas e modelos de negócios a prova, grandes promessas estão vendo a fragilidade de seus negócios, ao final sobreviventes serão aqueles que saberão pivotar seus negócios para atender a demanda correta e na hora certa, escutando o que é necessário ser feito e não apegar-se a ilusão vendida em livros com os 5 passos para o sucesso. No ecossistema empreendedor sempre é bom lembrar que enquanto uns choram outros vendem lenços.

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