As promessas de Ronaldo

Não me refiro às que ele fará agora, mas às de 2012.

Como sempre tento fazer nas eleições, registrei as promessas dos candidatos e passo à revisão, agora que o mandato do eleito vai se encerrando e ele oferece novamente seu nome ao eleitor. O julgamento não se dá em dezembro quando o mandato acaba, mas em outubro nas urnas. É hora, pois, de analisar os dados que temos.

O comedimento é uma marca de José Ronaldo, expressa no modo como responde a jornalistas em entrevistas e a adversários políticos que lhe atacam.

Não precisava, mas ele é comedido também nas propostas. Diz que é porque não gosta de prometer sem cumprir e prefere entregar mais do que prometeu.

Resulta que grande parte de suas propostas em 2012 foram tímidas ou vagas, difíceis de mensurar.

Foi o caso por exemplo da meta de implantar 4 escolas em tempo integral, construir creches e ampliar as vagas existentes, sem especificar quantidade. O governo fez um número maior de escolas (6), 12 creches, com mais 3 sendo finalizadas. Precário é o tempo integral, pois mesmo nas escolas novas, o tempo integral só está implantado nas creches e mesmo assim não em todas as séries. Alega o governo que a demanda é muito grande e não haveria vagas para todos se as turmas todas fossem postas em tempo integral. No Ensino Fundamental a prefeitura não tem nenhuma escola em tempo integral.

Prometeu “formar e capacitar professores da educação infantil”. Isto é uma ação permanente, que até os piores governos se gabam de executar, contabilizando qualquer palestra de Jornada Pedagógica, que tem sua utilidade, mas está longe de ser uma real qualificação.

Prometeu “intensificar os programas de qualificação profissional”. Cumpriu? Como mensurar?

Prometeu “valorizar agentes de saúde e de endemias”, o que também é vago, de modo que o prefeito acha que cumpriu e os profissionais acham que não.

No crítico setor de transportes, em torno do qual girou a campanha de 2012, a redução de tarifa de ônibus aos domingos e feriados foi uma promessa cumprida que deu errado. Porque ocorre também uma drástica redução de veículos e o passageiro talvez perca mais do que ganha, pois é difícil exercer o direito a meia passagem esperando horas no ponto.

A prefeitura foi bem sucedida na troca das empresas de ônibus, porque saíram prestadores de serviço da pior qualidade, substituídos por empresas que deram demonstração de seriedade e competência e implantaram frota 100% nova.

Entretanto, o serviço está muito longe de ser o que a população demanda. E os empresários se ressentem de um número maior de passageiros, enquanto todos se batem contra o ligeirinho, que a prefeitura não consegue coibir a contento.

As propostas de Ronaldo em 2012 contemplaram ainda, por exemplo, “investir em aração de terras e distribuição de sementes, limpar, ampliar e construir novas aguadas e fortalecer a agricultura familiar”. Tudo que ou é rotina administrativa da secretaria de Agricultura, ou meta que não pode ser quantificada.

O prefeito falou na campanha em “trabalhar para ampliar o Bolsa Família” e ocorreu o contrário. Milhares de famílias saíram da lista de beneficiários. Mas o secretário de Desenvolvimento Social, Ildes Ferreira, comemora, pois, segundo ele, muita gente que não deveria, estava recebendo o pagamento e agora o cadastro estaria depurado.

Naquilo que Ronaldo mais ousou não obteve êxito: o BRT. O cronograma inicial previa que a esta altura, boca da eleição, a obra estaria pronta. Até o dia da votação, o governo conseguirá apenas entregar a trincheira da Maria Quitéria (onde na verdade não vai passar ônibus do BRT mas faz parte do pacote de mobilidade urbana tocado com o mesmo empréstimo da Caixa).

O serviço demorou, como se sabe, pelos empecilhos que opositores impuseram à obra, com diversas ações judiciais que adiaram o início e posteriormente interromperam o trabalho algumas vezes. Por isso, não passará para o eleitor como uma promessa descumprida. Ao contrário, pode até virar salvo-conduto: “Vote em mim, para eu terminar”.