Brigando por apartamento Geddel ajuda a desestabilizar governo

Com o Rio de Janeiro — segundo estado mais rico do país — convulsionado pela falência e a prisão de dois ex-governadores, uma mesquinha briga por um apartamento em Salvador — se é que é só isso — desvia neste momento o foco do noticiário nacional para o núcleo do governo Temer. Como ator principal da trama, o ministro baiano Geddel Vieira Lima,um dos mais próximos ao presidente.

Ele é acusado de pressionar o Iphan nacional, órgão que zela pelo patrimônio histórico e artístico, para liberar construção em Salvador, já autorizada (na marra) pelo Iphan baiano. Para exercer a pressão, recorreu ao ministro da Cultura, a quem o Iphan está subordinado. O ministro Marcelo Calero não cedeu e aí passou a ser pressionado também, até o ponto em que pediu demissão ontem e botou a boca no trombone. Leia a história completa na entrevista dele à Folha.

O assunto é a manchete principal da edição impressa da Folha de São Paulo neste sábado e já toma a internet, nos trending topics do Twitter, na capa do maior site do país, o UOL e por aí afora.

Nas investidas contra o colega ministro, Geddel assume ter interesse por ser dono de um dos apartamentos. Por conta deste empreendimento, na Ladeira da Barra, tinha se desentendido com vereadores de Salvador meses atrás, alegando na ocasião que seu interesse era na geração de empregos.

O prédio, cercado de pontos históricos, foi lançado para ter 35 andares, enquanto os da região têm 10. O Iphan não admite o monstrengo. “E eu, que comprei um andar alto, como é que eu fico?”, perguntou Geddel ao ministro honesto que se vai.

E agora todos nós queremos saber como é que fica Temer, diante da atitude imprópria e ilegal de seu ministro. A Comissão de Ética Pública da Presidência debruça-se sobre o caso já nesta segunda-feira. É crescente a pressão por uma demissão do ministro que não se constrange de exorbitar de seus poderes e escancará-los em questão de interesse explicitamente pessoal.

ALGUMAS DAS MANCHETES SOBRE O CASO NO MOMENTO NA IMPRENSA NACIONAL:

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.