O Brasil sem presidente e sem rumo

O Brasil está na encruzilhada e nela vai permanecer por um tempo maior do que as urgências da economia recomendam.
Pois embora tenha sofrido domingo uma derrota acachapante, quando obteve só 27% dos 513 votos disponíveis na Câmara dos Deputados, a presidente Dilma deixa claro que não arreda pé, ainda que esteja sem as condições necessárias para governar.
Mesmo claramente — e compreensivelmente — abatida, na entrevista concedida no dia seguinte à aprovação da continuidade do processo de impeachment, Dilma declarou ter “força, ânimo e coragem”, para continuar lutando pelo cargo no Senado e no Judiciário.
“Não começou o fim. Estamos no início da luta. Será muito longa e demorada”, avisou. Dilma alega que não está lutando por ela, mas pela democracia e por todos que votaram nela e até pelos que não votaram. Enquanto isso o país se desmancha junto com o governo.
No Senado os prognósticos são desfavoráveis à presidente. Mesmo antes da aprovação pela Câmara, já se contava que os votos da oposição eram suficientes para aceitação da denúncia, o que levará ao afastamento inicial de 180 dias, quando Temer já assume.
Portanto, é de se esperar que a presidente tente via STF prolongar ao máximo sua permanência na cadeira, prolongando também a agonia política e econômica.
O RISCO CUNHA
Enquanto isso, evidenciam-se manobras para deixar impune o comprovadamente culpado Eduardo Cunha.
A maioria dos que desejam ver o PT fora do poder a qualquer custo alega ser a corrupção a causa principal do ódio ao partido, efetivamente participante de incontáveis escândalos.
Pesquisas de opinião, apontam, entretanto, que o desejo de ver Cunha pelas costas é igual ou maior do que a vontade de ver Dilma desocupar a presidência.
De um eventual governo Temer, se espera o milagre de recolocar o país na rota do crescimento em poucos meses, sem impor sacrifícios adicionais à população. Dados os fundamentos econômicos frágeis, a frustração desta expectativa é bastante provável. Se além desta previsível desilusão, o povo enxergar no futuro governo um salvador de corruptos (não só Cunha como outros envolvidos na Lava Jato), estará dado o combustível que falta para incendiar de vez o país.