Um garoto, uma câmera e um mundo pela frente

Então, meu assunto hoje é fotografia, e como essa arte tem mexido bastante comigo. Eu tenho uma câmera fotográfica há um bom tempo, acho que desde 2013. Ela ficou guardada praticamente até o segundo semestre de 2016. Minha história com a fotografia começou no decorrer do meu mestrado na UFMG. Incrivelmente (ou não) sou um cientista da computação que aparenta ter afinidade com as artes, letras e vãs filosofias. Já mantive até um blog de poesia psicodélica que posso falar depois, afinal acho que desfoquei do principal assunto (isso acontece um bocado comigo).

Bem, devido a uns lances com um carinha da escola de belas artes conheci um cara fodasticamente foda (também de lá) e com ele pude bater muitos papos maneiros. Um desses papos maneiros surguiu a partir do fato de ele estar fazendo uma disciplina de fotografia e automaticamente me veio na cabeça uma idéia aparentemente non sence de fotografar já que eu já tinha a tal da câmera. Não é a das melhores, mas é legalzinha (uma semiprofissional da nikon). A minha primeira idéia de projeto fotográfico foi fazer uma série retratando pés. Isso me veio inspirado no filme ‘Forest Gump’, onde o Forest diz que os pés falam bastante sobre seus donos. Minha idéia foi de retratar a história das pessoas por meio dos seus pés. O problema é que eu me perco muito em pensamentos e teorizo muito o processo todo e fiquei lerdando, perdido em idéias. E além disso eu também tinha um misto de medo e vergonha de carregar câmera por aí e de fotografar com ‘todo mundo me olhando’.

Começei timidamente a tirar algumas fotos com o celular enquanto perambulava pela Faculdade de Educação (tenho uns chegados e chegadas lá também). Montava algumas cenas e tentava ver como ficava. Foi uma fase interessante, onde fiz uma pequena série intitulada ‘O homem invisível’. Meus all stars vermelhos foram os principais protagonistas da série. Mas meu boom mesmo foi no fim de um namoro que estava já desgastado e minguando minhas energias. O fim desse namoro coincidiu com o fim do meu mestrado e eu estava a ponto de explodir. Ao fim dessa fase turbulenta eu lindamente peguei minha câmera e fui fotografar na Lagoa da Pampulha. Não sabia o que fotografar. Eu só queria lavar minha mente.

Comecei então a fotografar pássaros. Quase contornei a lagoa toda fotografando passarinhos, garças, marrecos, tudo que tinha penas. Eu precisava desse start na minha vida. Fotografar ao ar livre foi uma boa experiência. Depois, com a cabeça mais aliviada, tomei coragem de ir ao centro da cidade tirar umas fotos. É meio estranha a sensação que eu tenho às vezes de estar sendo observado, mas acho que faz parte do processo de tornar-se fotógrafo perder a timidez. Começei montando umas cenas com os prédios sendo meus protagonistas. Vou fazer uma compilação das fotos dessa fase e pensar em um nome legal. Mas um belo dia em Teresina-PI eu vi uns grafites que fizeram nas paredes de onde eu fiz o superior e ensino médio (IFPI). Ali eu saquei que estava na hora de dar vez a arte urbana. Os muros estavam a gritar, a recitar poesias, a falar com as gentes (sic).

Comecei então a procurar grafites pela cidade (moro atualmente em Belo Horizonte). A pegada do grafite misturou-se meio que com uma vontade de retratar paisagens urbanas de forma geral. Só que para mim a parte mais daora da cidade são os becos, ruelas, calçadas com seus azulejos multi coloridos. Não gosto muito de fotografar a imponência dos monumentos. Gosto de fotografar a imponência das pessoas. E isso meio que se mostra no dia-a-dia delas. Estou em processo de pós edição de grande parte dessas fotos mais urbanas. Fica meio lento porque divido isso com outras atividades, incluindo as acadêmicas. Agora estou também em uma fase de descoberta, onde passei a tentar modelar para umas fotos bem ao estilo tumblr. É meio que divertido e estranho fazer retratos de si mesmo. Mas é terapêutico fazer caras e bocas por aí. No meio da rua chega a ser meio contrangedor, mais aí liga-se o foda-se. Enfim, é isso o que eu queria compartilhar. No fim do post encontram-se uns exemplos do que ando fazendo.

Não é tudo, mas acho que tem umas coisas bacaninhas. Vou ver também uns lances com audiovisual. Estou montando meio que umas histórias para contar sobre uns temas que julgo ser de interesse. Mas por enquanto é só experimento. Pera, mas tudo que eu falei até agora foram experimentos. É isso.