Inteligência coletiva: uma mobilização efetiva das competências.

Publicado originalmente em 1997, o livro “Cyberculture” (em português: Cibercultura), de Pierre Lévy traz reflexões sobre o advento das tecnologias digitais de informação e comunicação e a consolidação do ciberespaço nos caminhos da humanidade e de sua aprendizagem. Pierre divide o livro em três partes: Definições, Proposições e Problemas.

Em Definições o autor analisa os impactos das tecnologias sobre a sociedade ou cultura, e defende que a “cibercultura” oferece à sociedade novas formas e maior acesso a informações. Esse fenômeno acaba por conceber, assim, a “inteligência coletiva” que é uma espécie de inteligência, conhecimentos ‘desterritorializados’ compartilhados por várias pessoas, onde cada indivíduo possui uma sabedoria e, assim, as tecnologias possibilitam maior interação entre esses, aumentando a diversidade dos aprendizados na sociedade e/ou sua cultura.

O autor ainda salienta que a técnica condiciona a sociedade, não a determinando, ou seja, a sociedade se constitui historicamente pela tecnologia, mas não é determinada por ela. Em palavras do autor, “[…] essas técnicas criam novas condições e possibilitam ocasiões inesperadas para o desenvolvimento das pessoas e das sociedades, mas que elas não determinam automaticamente nem as trevas nem a iluminação para o futuro humano.” (LÉVY, 1999).

Pierre defende, principalmente, as mutações globais da civilização através da virtualização da informação. Considerando o virtual de três formas distintas: corrente, técnica e filosófica. Definindo rapidamente, na corrente o virtual seria visto como algo irreal, não podendo ser virtual e real ao mesmo tempo. Para a técnica, o virtual, ligado à informática, não está em lugar nenhum e não se encontra ligado a nenhum momento em particular. Filosoficamente falando, o virtual é o que existe em potência, mas não em ação concreta. É a simbologia, o significado que é atribuído a tal coisa e, nesse caso pode ser virtual e real simultaneamente, pois mesmo sendo “desterritorializado” e não sendo preso a um lugar em particular, o virtual permite manifestações palpáveis em diferentes ocasiões e espaços.

Em suma, Lévy defende a “cibercultura” como processo para a aprimoramento do conhecimento no campo da educação, comunicação e informação, permitindo maior e melhor troca de saberes através da internet, do ciberespaço, também chamado rede e a “inteligência coletiva” advinda da interconexão entre as comunidades virtuais é o fenômeno resultante de toda essa troca de informações que as tecnologias digitais oferecem que são condicionantes para modificações na sociedade. Não se limitando a aspectos positivos, o autor ainda reflete sobre as questões de exclusão e o favorecimento das desigualdades sociais que o ciberespaço permite diante de conflitos políticos e econômicos.

“Você quer, @?”