A mídia é golpista?

Foto: Guilherme Santos/Sul 21

O filme se repete. A cada machete da editoria política, a já dividida rede (in)social se divide ainda mais. “Mídia golpista”, bradam uns. Outros, quase sempre da mídia, se defendem ou ironizam o que seria uma paranoia de militante.

Sem a pretensão de cravar a estaca definitiva para qualquer lado (uma vez que considero as duas visões reducionistas), vou me limitar a uma provocação.

Os militantes que chamam a mídia de golpista no caso do golpe (aqui sou definitivo, foi golpe) podem, como afirmam gestores apegados e jornalistas ingênuos, estar errados? Podem. Podem estar sendo paranoicos? Podem. Podem estar sendo iludidos? Podem.

Mas quem trata com ironia e certo desprezo corporativista o discurso “mídia golpista” deve reconhecer que já vimos filmes, ao menos, parecidos antes, né?

Vamos à lista:

  1. A Mídia Contra as Leis Trabalhistas
  2. A Mídia Contra Vargas — O Triunfo do Corvo
  3. A Mídia Contra Jango — A Posse do Comunista
  4. A Mídia Contra Jango II — As Reformas de Base
  5. A Mídia pelo Golpe Militar
  6. A Mídia pela Ditadura (filme no estilo Loucademia de Polícia, com trocentas edições, ou, mais contemporâneo e cult, no estilo Boyhood)
  7. A Mídia e o Gato Angorá Contra Brizola
  8. A Mídia Contra as Greves do ABC
  9. A Mídia Contra as Diretas (quando Brizola, Covas, Lula e Dr. Ulysses fizeram um Megazord Democrático e, até assim, a mídia foi contra)
  10. A Mídia e o Caçador de Marajás
  11. Faixa Bônus — Curtas Gaúchos: A Mídia e o Raio Privatizador Contra o Bigode

Pois então…

Se gato escaldado tem medo de água fria, ele não tem o direito de temer (ou Temer) a água quando ela está, talvez não pelando, mas um pouquinho morna?

Será que, mesmo forçando a barra na retórica “mídia golpista”, o militante paranoico e iludido não tem o direito de duvidar um pouquinho da nossa imprensa?

(Texto de maio/16, editado)

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