Me sinto como aquela arvore bonita que foi se levantando ao meio de uma casa onde uma família feliz morava.
Lembra? Aquela família que morava na rua de cima, que a mãe sempre se gabava pela família perfeita que havia unido, os irmãos eram extremamente contentes com a vida que levavam e o pai tentava ajudar na criação o máximo que conseguia.
-A família inteira se divertia bastante quando estavam juntos, lembra? Parecia que a vida fazia sentido mesmo pra eles. Era uma família que todas tentavam se espelhar de tão boa que era.

O tempo passou, as crianças cresceram e toda aquela coisa boa cresceu a um ponto perfeito. Não havia como melhorar. O pai havia conseguido o melhor cargo em sua empresa, os filhos haviam se formado no colégio com um boletim perfeito em todas as matérias e iam para as melhores faculdades que o dinheiro poderia pagar enquanto a mãe cada vez mais se aprendia novas coisas em seus cursos e graduações que fazia.
Um dos filhos queria comemorar os boletins perfeitos, lembra? Ele chamou todos nós pra ir naquele lugar lá!
Foi lá que ele conheceu aquele cara, lembra?
Caramba, aquele cara que deu uma ponta de caneta pra ele na festa! Como você não lembra dele?

‘Enfim.’ Foi naquele dia lá que o filho começou a ficar estranho. Não fui pois minha mãe não me deixou ir mas me contaram que no meio da festa ele ficou bem elétrico e não conseguia parar por nada. Assustou geral. Foi o assunto mais falado do ano.
Não sei bem o que aconteceu, só sei que algumas pessoas começaram a olhar meio estranho pra ele. A mãe até tentava defender um pouco enquanto o pai só gritava com ele na rua.

Lembra da arvore? Lembra que ele ficava naquela arvore todo dia depois daquela festa? Então, aquela arvore aparentemente era onde ele sentava e escrevia um monte de história maluca sobre alienígenas e cidades de outros mundos. O pai ficava bem puto com ele porque ele nem descia mais de lá quase. Foi bem tenso o dia que o pai dele viu o filho falando com aquele cara na frente da casa deles. Teve polícia e tudo mais. A mãe não parava de gritar com o pai.
Depois disso, o filho pegou as coisas dele e foi embora pra cidade falando que queria uma vida sozinha e que ia conseguir se virar sem ninguém por perto.
Depois disso, eles nem eram os mesmos mais. O pai tinha criado um vício em jogo e bebidas, aparentemente. Saia a noite todo dia pra ir num bingo clandestino. A mãe, que tinha feito vários cursos preparatórios pra qualquer coisa, aparentemente esqueceu de se preparar como era viver uma vida que a dura realidade batia na sua porta todo santo dia com policiais carregando seu marido semi-inconsciente pra dentro de casa e o largando em cima de seu sofá. O outro filho…é, acho que eu nem preciso comentar sobre, né?

Eles tiveram que se mudar pra dois apartamentos depois do divórcio. Até que fez bem pros dois. Cada um seguiu sua vida em paz e longe do peso do passado sendo carregado nas costas, sabe? Acho que esqueceram de tudo, sei lá, não sei muito como eles tão agora.-
Enfim! Lembra daquela arvore?
Então, depois que a casa foi vendida, ela foi demolida e fizeram um restaurante bem pequeno no canto onde era a garagem. Todo o espaço era aberto pro pessoal curtir o ar livre. A arvore continuou lá por muito tempo pra dar um clima mais natureza ainda.
-Era bem legal o lugar. Foi uma pena terem que fechar depois daquele negócio.-
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Como assim ‘que negócio?’? Você não lembra?
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Aquela menina que bateu o carro lá!
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-tsc- Ok.
A menina tinha pego o carro emprestado com a mãe pra ir no shopping. Só que quando ela tava passando aqui na rua pra pegar a amiga dela que era filha do dono ela acabou tendo que desviar de um menino que tava correndo na rua e bateu de frente com a arvore. Foi bem triste.
A filha do dono ficou devastada, o pai dela entrou em desespero porque aparentemente tava fazendo coisa indevida no lugar e a mãe da menina entrou em coma depois disso.
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É, foi bem tenso.
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Não sei explicar, mas e se aquela arvore estivesse lá exatamente pra isso acontecer?
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Digo, ela foi tirada de lá logo depois disso acontecer. Parece que ela se foi assim que cumpriu o seu objetivo, sabe? Ele parou aquela menina de continuar pra frente em seu carro. Ele botou o fim em alguém que poderia ter sido uma pessoa ótima na vida.
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Eu sinto que eu farei isso com você. Eu sinto que aquela arvore sou eu, parando você de ir pra frente. Colocando uma barreira na sua vida que vai impedir de você seguir em frente e ser uma pessoa ótima.
Sinto que se eu não estiver na sua frente, você seguirá um caminho perfeito.
E eu não posso privar você disso. Quem sou eu pra poder privar alguém disso?
Logo eu.

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