ODELMO E A APOSTA PERDIDA

O prefeito Odelmo Leão iniciou seu governo com o anúncio da bombástica “Gestão Total” para enfrentar o “rombo” do governo anterior. Quem pensou tratarem-se apenas de corretas medidas administrativas e contencionistas não percebeu de início que ela contém uma política de “terra arrasada” contra toda a herança do prefeito anterior. Destruir suas obras e realizações não importa se negativas ou positivas.

O fim da Fundasus, o desmonte da UPA Pacaembu e a extinção do passe gratuito ao idoso de 60 anos são alguns exemplos reveladores de que a “Gestão Total” não é só corrigir o mal feito, mas anular do outro tudo o que for possível. Jogar no chão e cobrir de sal, numa versão atualizada do que faziam os conquistadores bárbaros nos territórios inimigos. Nada de republicanismo! Afinal, confiam em que a onda anti-petista servirá para encobrir as intenções malsãs! Confiam também no alinhamento da Câmara Municipal, na cupidez do MP e na blindagem midiática.

Uma das apostas da sanha destrutiva da “Gestão Total” foi o não pagamento do salário de dezembro/2016 e dos acertos trabalhistas aos servidores municipais. Uma aposta que jogaria o “calote nas costas do Gilmar” e que permitiria ao novo prefeito iniciar o pagamento dos salários de 2017 sem atrasos. Genial! Mas não seria de alto risco? Improbidade administrativa e conflito com os servidores? Que nada! O prefeito Odelmo declarou: “não pago! Gilmar que pague!”.

De repente, o servidor viu-se rifado. Decepção! Logo o prefeito no qual votaram em peso e que prometeu “não virar-lhes as costas”. Foi o bastante para levantar o funcionalismo já sacrificado com os atrasos e parcelamentos de salários do ex-prefeito. Aquele que achava que do alto de sua arrasadora votação popular ficaria em pratos limpos caloteando os honestos servidores sentiu o chão tremer.

Faltando comida em casa e com dívidas atrasadas, o servidor disse “Não!”. Mostrou sua dignidade. Marcou protesto, que tornou-se paralisação de um dia e que virou greve de uma semana. Paralisou o trânsito. Cercou a Câmara e a Prefeitura. Exigiu respostas. Não suficiente, ocupou o plenário da Câmara Municipal. Furou a blindagem da mídia, penetrando os lares da população. E isso, sem o sindicato.

Para fora, prefeito é aliados dizem que “é coisa do PT”. Mas sabem que perderam a aposta. Foi ela que instalou a primeira crise do governo, arranhando a imagem do prefeito. O Leão sentiu a pressão. Assumiu a dívida, mesmo sem prometer quando pagar. Pode ser que ele parcele, mas não poderá calotear nem enrolar. A greve talvez reflua. Mas o recado foi dado. O descontentamento do servidor é geral. Se o prefeito não pagar, isso vai minar sua credibilidade.

Gilmar ficou com a imagem de mal gestor. Mas pagava. Para o servidor, a “Gestão Total” poderá ser a de Odelmo caloteador. Ele também caloteará empresários com os quais a prefeitura está em dívida? Senhores, suas apostas serão mantidas?

Gilberto Neves, professor e advogado.

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