O senhor doutor é um parolo
RJ Pinho
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Um artigo ridículo, desculpem a expressão, mas não há nada pior que uma ideia errada, alicerçada em pseudo-verdades, e de carácter demagogo, que pega na questão da formação antes e pós 25 de Abril, na auto hierarquização social provinciana dos Dr´s e não Doutores por extenso, sem que a segunda forma seja por isso mais ou menos legitima, dado que ambas são provincianas, e aqui reside a alavancagem da verdade “parola” do artigo, para se partir para a estupidez e demagogia. Deixem-me partir então para uma desconstrução factual das coisas. Em primeiro lugar o autor quer deixar a ideia errada, que o numero de licenciados (pré e pós bolonha, questão que discutirei depois) está de algum modo equiparada à media de outros países, da UE, ou até mesmo da OCDE, ou que somos todos Dr´s, a questão é que o numero de licenciados em Portugal equivale a pouco mais que 12% da população, numero insignificante por comparação! E voltarei a este ponto mais tarde. Segundo ponto, a forma mesquinha e desprezível como é tratada a questão da investigação, ou mesmo a comparação das bolsas (RIDÍCULAS E ESCASSAS DA FCT) a um subsidio de desemprego, ou a um retardar na entrada do mercado de trabalho, queira o autor saber que a maioria dos casos de mestrado e doutoramento que conheço, não têm qualquer apoio, e os que têm, são deveras insuficientes, muitos destes doutoramentos, concluem-se por espírito de sacrifício e muitas vezes abnegação de quem os faz, e sim como diz um dos comentários a este artigo, a investigação cientifica em Portugal é mal tratada, mal paga e insuficiente. Ponto três, pré e pós Bolonha, gerou-se a ideia, que as licenciaturas pós bolonha, são uma espécie de bacharel e os mestrados licenciaturas, leia o acordo de bolonha na integra para não dizer disparates, o numero de horas de estudo previsto por ECTS no quadro do acordo de bolonha, é de 20 a 25 horas por ECTS, as licenciaturas de 3 anos por comparação às 4 e 5 anos, não deveriam perder (pelo contrário nada em conteúdo), acontece que os campus académicos em portugal não estão preparados para cumprir bolonha, todos os professores teriam de ter um espaço para receber alunos, as aulas seriam diferentes, a investigação privilegiada, as bibliotecas preparadas, seria impossível cumprir com as horas por ECTS nas licenciaturas em pós-laboral, no prazo de 3 anos, muito menos ser trabalhador estudante cumprindo com 120 horas por cadeira semestral, tendo 5 a 6 cadeiras por semestre, sendo que o tempo de aulas em horas por cadeira, é de 40 a 50 horas, as restantes, estariam em estudo, (leituras, investigação, trabalhos etc). Bolonha não representa inferioridade no domínio de conteúdos e competências, a maneira como as universidades se preparam é que não o permite. Voltando ao inicio, tomara nós que todos tivessem estudos superiores, nas mais diversas áreas, e se calhar não teríamos a desgraça que temos hoje, governados por incultos, com uma população sem espírito critico, que não consegue ver para além de uma comunicação social perversa, e não, não é preciso ter um canudo, para ser culto, ou ter espírito critico, ou ser competente nas mais diversas funções, mas à falta de outro paradigma educacional, este é o que temos… (2 post dado que o primeiro foi apagado pois custa viver com a desconstrução factual do senso comum)

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