Lava Jato ou Morte
Um comentário sobre o papel de Sérgio Moro
Figura onipresente nos últimos anos, Sérgio Moro, pra todos os efeitos a face da Lava Jato (assim como FHC foi a face do Plano Real), é amado e odiado pelos diferentes atores e grupos envolvidos no processo político brasileiro.
Enquanto para os fãs mais ardorosos ele é um herói, uma salvador da pátria, para seus detratores mais virulentos ele é um agente da CIA que tem como objetivo manter o Brasil como país subalterno.
Eu tendo a sempre desconfiar dessas teorias da conspiração na qual os agentes estrangeiros são de uma genialidade maligna, agindo de forma extremamente coerente com seus objetivos. Não é o que o governo Trump mostra. A narrativa do Moro herói sem segundas intenções é simplesmente ingênua demais pra merecer crítica.
O paralelo que me vêm a cabeça quando penso em Sérgio Moro é Dom Pedro I. Na célebre carta escrita para seu pai, Dom João VI, em 19 de junho de 1822, o trecho que me faz pensar nesse paralelo é justamente um dos mais conhecidos:
Eu ainda me lembro, e me lembrarei sempre, do que Vossa Majestade me disse antes de partir dois dias, no seu quarto: (Pedro, se o Brasil se separar antes seja para ti que me hás de respeitar do que para algum desses aventureiros).
Ou seja, a Lava Jato é como a Independência do Brasil, feita de cima para baixo de forma a garantir os privilégios das antigas classes dominantes. Se a população já não aguentava mais o jugo colonial, que a independência seja feita pelo próprio filho do Rei, e não por um aventureiro. Se o povo não aguenta mais a corrupção, que seja “um dos nossos” a limpar o governo, expurgando os aventureiros no processo.
