Esta é para a minha autoestima alta

Para quem tem autoestima baixa, às vezes, quando ela resolve dar o ar das graças, ela é assustadoramente impressionante. Há alguns meses, eu a referi como vai-e-vem, no intuito de que ela realmente ficasse e aproveitasse a vista.
Nessas últimas semanas, eu tive de tomar algumas decisões, querendo ou não, muito importantes para minha vida, apesar de que praticamente todas foram arquitetadas para que nada tomasse rumos diferentes e eu não pudesse controlá-los. Mudei-me na segunda quinzena de janeiro, e o fato mais incrível, e também, o motivo para que escrevesse este, é que o meu banheiro é azul — eu sempre quis ter um banheiro azul.
Tudo bem se não quiser saber se agora eu tenho um banheiro azul, mas não é qualquer azul! É um azul clarinho. Acho que é azul-bebê. Para ser mais exato, sempre quis um banheiro com pastilhas, daquelas cheias de quadradinhos, com vários tons de azul. Também queria uma pia em mármore e uma cuba branca quadrada. Mas este banheiro com azulejo, azul claro, é ótimo para mim.
Há algo que se compara com o banheiro da casa em que eu morava até algumas semanas atrás: tem um espelho a mais e nenhum deles é jogado em qualquer lugar do banheiro. Ou, da casa.
Não, não sou nem um pouco narcisista. Mas, ultimamente, algo estranho tem acontecido. Digo que é estranho, pois não me é habitual. No meu banheiro tem três espelhos, e um deles é bastante grande. É um daqueles que, quando imaginamos morando na casa dos sonhos, tem que ter um espelho desses. Esse espelho vai do chão até o teto, e eu gosto do que vejo nele, no seu reflexo, quando estou diante dele.
Está legal! Não é pra tanto. Há nada de admirável, mas também, não é tão pouco. E mesmo assim, me é estranho, pois me é como uma pessoa nova. Não, melhor: é como um conhecido que venero, e só nos vemos em épocas específicas. E, essa vista é tão boa, mesmo que não possa ser registrada, senão por estas palavras.
Eu não sei o que é ter autoestima alta, e pode parecer que eu queira me montar em cima de inúmeras ocasiões. Eu realmente quero, pois são únicas as vezes que eu posso escutar minha música favorita, e não chorar. Posso dançá-la (apesar de ser um poema), e declamá-la diversas vezes. Posso tocar-me, e sei que sou o único que fará isso por mim, por aquele rosto no reflexo do espelho, pelo meu corpo, por aquele olhar, que mesmo sabendo que é temporário, me diz:
– Eu te amo, e aqui, tudo passará, assim como passou. E a esperança de que alguém há de chegar e ficar para sempre, com a ideia de que tudo é efêmero, só se esgotará no seu último dia, mesmo que ninguém o faça. Você é o melhor que pode acontecer, principalmente para si próprio.

Jean Carlos de Moura Cosme
São Paulo, 3 de Fevereiro de 2017.