
o homem que não tem nome
guarda o seu não-rosto
atrás de seus não-óculos
engasga um vago alô
num movimento de mão
ou olhar desviado
.
o homem que não tem nome
já entra no elevador
avalia no curto espelho
quão neutra é sua imagem
seu terno impessoal
sua gravata apenas gravata
.
o homem que não tem nome
apressa o passo na rua
penetra na condução
num salto quase esportivo
.
sua aflição se dilui
sua respiração se acalma
ali junto dos outros
tantos como ele sem nome
seguindo, vagando, cansando
rumando de rumo à rumo
.
o homem sem nome já sente
o conforto além do conforto
seu rosto recebe as feições
suas, de todos os outros
mil vozes num só gemido
o tempo parando e saltando
no corpo da multidão
27 jun 07