Onde de fato estão os rios da cidade?
Por Camilla Millan e Seham Furlan
Nas ruas de São Paulo os rios fluem.
Abaixo dos pés que calçam sapatos apressados.
Se segue a corrida das águas, que afloram na chuva, que molham a rua e alagam o chão.
Em 1930, os rios de São Paulo começaram a ser encanados para que se cumprisse o plano de avenidas criado por Prestes Maia. Junto com os rios, sumiriam as doenças e o mal cheiro, mas a falta de planejamento trouxe novas doenças e um problema que não tinha nada de novo: os alagamentos.
Aos poucos, os rios foram dando espaço a enormes avenidas, que, com a ascensão do automóvel, prometiam ser o grande avanço do moderno mundo capitalista. Porém, ao decorrer das décadas aumentam-se os carros, parecem diminuírem as avenidas e consequentemente, dobram as reclamações.
Inundações, enchentes e leptospirose: nunca antes essas palavras foram tão pronunciadas. Elas afetam qualquer grande metrópole cujo sistema de encanamento não foi bem planejado, mas o que a população em a dizer? Conversando com moradores da cidade de São Paulo se pode ter uma noção de que o problema está longe de ser pontual.
Giselle Coelho mora há 24 anos no bairro de Moema, um dos muitos bairros cujas ruas escondem diversos rios, e conta que quando se mudou, tudo já estava canalizado. Ela defende que o processo de urbanização dos grandes centros urbano tenha sido o grande colaborador para que ocorresse o problema atual das enchentes.
“A gente vê que a água da chuva não tem para onde escoar, mas tem o problema do próprio lixo que entope os bueiros. ”
Para Giselle, a única maneira de melhorar a situação é a conscientização da sociedade para não jogar lixo em córregos.
Já Uilhisson Santos, morador do bairro do Grajaú, revelou que ocorrem muitos alagamentos em seu bairro, o que, segundo ele, acaba prejudicando muito o solo e fazendo com que vaze água para fora do asfalto.
“Pela quantidade de lixo que tem na rua, as vezes o que limpa é a chuva, que joga tudo para os bueiros, então quando chove muito sempre fica alagado. ”

Ele acredita que a principal causa dos alagamentos seja o acúmulo de lixo, seguido pela maneira a qual os bueiros foram construídos. Além disso, ele conta que as inundações o atrapalham muito, fazendo com que se atrase para compromissos e que tenha maior predisposição a pegar doenças.
Uilhisson não crê que aja uma solução definitiva para a situação, já que “a gente só tenta arrumar quando realmente prejudica”. Segundo ele, enquanto os políticos não forem realmente afetados pelos alagamentos na cidade, nada será arrumado.
A conscientização ocorre e, felizmente, vem ganhando visibilidade nas redes sociais, mas não é o suficiente. O crescimento da metrópole não acompanha os investimentos em drenagem, o que faz com que o problema se torne um círculo vicioso. Pedir para que não se jogue lixo na rua não terá a mínima eficácia enquanto o atual –e problemático- sistema de escoamento de água não virar um caos que afete a todos direta e imprescindivelmente.
Enquanto isso, nos resta esperar. Olhar a água passar enquanto o lixo ri de nós.
