Meus N porquês

Faz muito tempo que não escrevo aqui. Sempre achei que só deveria escrever quando algo estivesse explodindo meu peito ou minha cabeça. Bem… acontece que algo está explodindo ambos, de uma forma bem violenta.

Comecei a assistir “13 Reasons Why” e, logo de cara, percebi que estava assistindo a algo que me deixaria num lugar que eu não estou, e acho que nunca estarei, preparada para revisitar: meu passado.

Não posso dizer que “sou Hannah Baker”, porque ela sofreu coisas pesadas e teve um destino que eu não tive a sorte (ou o azar, nunca sei o que foi melhor) de ter. Mas me identifico com certas partes dessa obra de ficção. Infelizmente, partes tristes que eu gostaria de esquecer, mas que eu sei que vão me acompanhar pro resto dessa coisa que eu tenho que chamar de vida.

Primeiro é preciso entender, e nesse momento falo diretamente para as pessoas que me conhecem, que nem sempre vocês sabem o que está passando comigo, mesmo quando eu estou sorrindo e brincando. Assim como aconteceu com ela, há momentos de pequenas diversões que não apagam o que a gente sente por dentro: vazio e solidão. Mas é preciso entender também que nem sempre um abraço vai mudar a nossa vida. Eu não quero abraços, muitas vezes eles só pioram as coisas. Afinal, como eu posso me sentir sozinha em meio a tantas pessoas que me amam? Pessoas que demonstram afeto diariamente?

Mas calma! Diferente da Hannah, eu não culpo vocês pelo meu estado. Eu sei que é difícil entender o que eu passo. É complicado tentar ajudar alguém que já não vê muita saída pra si. Eu jamais colocaria em outra pessoa o peso de não saber o que eu quero de mim. Vocês têm me ajudado a levar, dia após dia, uma vida que eu chamaria de “estado de transição”. Estou em um momento de tentar curar o que o passado me causa e focar nesse futuro, mesmo que incerto. E vocês são parte fundamental nessa transição.

Há alguns anos passei pelo maior trauma da minha vida. Passei por isso com alguém em quem confiava, alguém que eu amava. Desde então, vivi uma vida de negação, achando que era mais fácil relevar o ocorrido e deixar enterrado no passado. Até porque a única vez que eu tentei pedir ajuda, fui desacreditada e difamada. Hoje eu sei que pedi ajuda às pessoas erradas. Mas essas pessoas também não têm culpa das escolhas que eu faço pra minha vida, certo?!

Sem fatos, sem nomes, sem informações demais. Eu sinto que ainda não estou preparada pra falar disso abertamente. Eu não quero prejudicar a vida de alguém, assim como essa pessoa fez comigo. É burrice, né?! Ainda pensar em não fazer mal a alguém que tenha feito exatamente isso comigo. Mas, como eu disse, eu não sou Hannah Baker. Vingança não é algo que eu tenho como objetivo. E justiça… eu não sei se estaria fazendo.

Tudo que eu posso fazer é continuar vivendo com essa marca. Aliás, essas marcas. Porque outras pessoas já me feriram profundamente. Inclusive, pessoas que julgaram esse cara que me fez tão mal. Se você está lendo isso e já me fez algum mal… qualquer mal, eu te perdoo.

Acho que, no fim, a única pessoa que eu não consigo perdoar sou eu mesma. Vou ficar pra sempre pensando no “e se”. E se eu tivesse feito diferente? E se eu tivesse calado a boca ao invés de ter confiado em pessoas que, claramente, não eram minhas amigas? E se eu tivesse bebido menos? E se eu tivesse conseguido acabar com todo o sofrimento? E se…

Essa serie me mostrou que, de fato, em uma coisa eu acertei. Vingança não traz paz. Mas então o que traz essa paz? O que é preciso para conseguir voltar a sorrir com os olhos? O que é preciso fazer para parar de chorar até dormir? O que é preciso para voltar a ter uma vida sadia?

Eu me afundei em depressão, meu corpo mudou, minha alma mudou, eu não me reconheço mais. Eu tentei acabar com tudo. Eu coloquei minha família em estado de alerta. Eu me feri sem motivo. Eu gritei implorando por ajuda. Eu não sei mais o que fazer com esse peso.

É engraçado ler as reações das pessoas. “Como as pessoas não perceberam? Por que ela não falou com a família? Ela é uma covarde! Eu faria a mesma coisa!”. Calma, gente. Há pessoas que não vivem nesse mesmo mundo que você. Há pessoas que, sim, estão passando por um inferno interior e você nem imagina. Muitas vezes a gente não percebe. Quando percebe, é tarde demais. Essa questão de “seja gentil com todo mundo” é um clichê enorme, mas que já ajuda um bocado. Não seja o “porquê” de alguém.

Bem… eu não sei muito bem o que eu queria passar com isso. Talvez aliviar um pouco o peito, talvez deixar o que senti ao assistir a essa serie. Vai ver eu só queria dividir um pouco da minha história com a internet. Peço desculpas se alguém se sentir ofendido, ou sei lá o que, com algo que eu tenha dito. Não era a intenção.

Obrigada se você leu até aqui.

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