A importância do encantamento na comunicação científica

O círculo dourado do Simon Sinek. Qual o seu “por quê”?

Uma das coisas mais legais da comunicação científica é se conectar com as pessoas. Quando você percebe que alguém se encantou por algo que você acabou de explicar, vocês viram melhores amigos e se convence de que você não é uma pessoa tão esquisita assim.

Como eu me sinto quando alguém acha Ecologia tão legal quanto eu acho! Fonte: TUMBLR.4GIFS.COM

Eu sempre tive dificuldades de fazer as pessoas perceberem o quanto as coisas que eu estudo são legais e não é por falta de empolgação: acho que o excesso de empolgação me faz não conseguir articular as palavras direito! Mas saber mostrar o nosso encantamento é algo crucial e pode fazer as pessoas se interessarem por ciência (o que é muuuito importante e o Neil DeGrasse Tyson faz MUITO bem!). Então eu li esse tuite e resolvi tentar de novo:

Mas antes vou organizar aqui minhas principais dificuldades e pedir ajuda dos leitores, de modo que quando eu tentar te conquistar falando sobre acasalamento de donzelinhas ou sobre os mistérios da distribuição da biodiversidade no planeta você seja seduzido de verdade. Se tiver alguma ideia de como eu posso superar os obstáculos listados aqui, por favor, deixe um comentário! Vamos lá:

1. Eu sempre espero que as pessoas sejam muito, mas muito curiosas. Sobre tudo.

Isso é um problemão! As pessoas podem ser muitíssimo curiosas, mas talvez só não se interessem por biologia. A primeira coisa que me vem à cabeça é “como você pode viver sem querer saber a resposta para esta pergunta?!” D: Então eu preciso respirar fundo (algumas vezes) e tentar fazer a pessoa ficar tão encafifada quanto eu. Com frequência simplesmente repito as perguntas que estou tentando responder, porque algumas pessoas realmente não gostam de não saber responder e isso é o suficiente para elas.

2. A maioria das pessoas espera que toda pesquisa tenha uma finalidade prática.

Se por um lado perguntas sem resposta podem ser o suficiente para algumas pessoas acharem minha pesquisa interessante, por outro, a maioria das pessoas respondem toda a minha empolgação com um “tá, mas pra quê serve isso?”. O que é muito, muito chato.

Quando me perguntam pra quê serve a minha pesquisa.

Na maior parte das vezes, minha saga para tentar encantar as pessoas termina aí. Quando não, tento fazer a pessoa imaginar como será o mundo quando desvendarmos determinado mistério e aí abuso da criatividade pra montar uma cadeia de consequências que, de um jeito ou de outro, termina em uma aplicação que pode afetar a vida da pessoa (que no fundo não me importa nem um pouco, o que torna muito difícil terminar o discurso com brilhinhos nos olhos).

3. É preciso simplificar até as coisas mais simples.

Eu tenho um pouco de dificuldades para “sentir” o que eu devo simplificar e acabo me atrapalhando um pouco quando preciso simplificar muito (e ao mesmo tempo ser sucinta para não tomar metade do dia da pessoa). Na comunicação escrita é mais fácil, porque os termos podem ser rapidamente explicados e podemos abusar dos links que levam o leitor a procurar saber mais por conta própria. Mas em uma conversa espontânea, principalmente pelo telefone, as coisas são muito mais complicadas. Às vezes não dá nem pra desenhar no guardanapo! Minha resposta a este desafio quase sempre é “é um negócio que a gente estuda”. E suas variações: “é um negócio que se junta com outro negócio e aí forma um negócio maior”, “essas coisas interagem de um jeito aí que, resumindo, resulta nisso e naquilo”. Nada encantador, né?

Bom, estas são minhas principais dificuldades. Acho que de uns dois anos pra cá, com a prática, eu tenho melhorado um pouco (beeem pouco!). Uma estratégia que eu notei que facilita é ouvir com atenção e tentar entender como a pessoa vê o problema. Fazer perguntas, mesmo as mais simples, podem fazer o interlocutor começar a pensar com você. É interessante relacionar o assunto em questão com algo que a pessoa domina e, se possível, fazer analogias. De qualquer forma, não devemos deixar de tentar fazer nossas pesquisas parecerem as coisas mais sensacionais do universo (mesmo que elas não sejam hehehe). Além de ajudar as pessoas a valorizarem a ciência (e o seu trabalho), esta prática pode ajudar você a ver suas perguntas de outra forma. E agora que organizei aqui meus obstáculos, nos próximos textos tentarei superá-los com a ajuda das dicas de vocês!

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