Open science com queijo e doce de leite!
Marcos V. C. Vital
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O meu XIIICEB & IIIEcoEvol

Melhor congresso que você respeita.

Sabe quando você está prestes a fazer algo muito importante e que muita coisa pode dar muito errado até a coisa importante acontecer? Assim estava eu na semana antes do XIII Congresso de Ecologia do Brasil. Vinha preparando uma palestra para a mesa redonda sobre Open Science há algumas semanas, fiz uma apresentação prévia no laboratório, mas não fazia ideia do que esperar. Acabou que a semana seguinte foi uma das melhores da minha vida.

Cheguei em Viçosa no domingo, dia 08 de outubro, depois de ter encontrado pessoas muitíssimo simpáticas no caminho. Conheci o Gustavo, que estuda opiliões em São Paulo, o Pablo, que estuda interações ecológicas no México, o Geraldinho, motorista de van mais sorridente daquelas paragens, e a moça gaúcha do balcão de informações que ama os macacos que frequentam o seu quintal, adora a biodiversidade do Cerrado e está bastante preocupada com a situação da ciência e do meio ambiente no Brasil. Naquela noite reencontrei várias pessoas que conheci em situações completamente distintas, matei um pouco da saudade dos amigos, fui super bem recebida pela comissão organizadora e já me senti em casa. Mas não parava de pensar na tal da mesa redonda e por isso não me demorei no happy hour

Cara, essa mesa redonda.

Tudo nessa mesa redonda era especial. Pra começar, ciência aberta é um assunto que fala diretamente ao meu ❤. Meu incômodo com ciência fechada começou lá quando eu ainda era uma guria do ensino médio metida a gente grande: quando me deparei com artigos escritos em inglês por pesquisadores brasileiros sediados em instituições de pesquisa brasileiras. Achava isso um absurdo! “Por que eles não estão se comunicando com a gente?”, eu pensava. Anos depois, já na faculdade, comecei a me esbarrar em paywalls. Era um mundo pré-sci-hub, ali pelo meio do curso descobri o LibGen, era a época da militância do Aaron Swartz. A minha formação como cientista está atrelada à luta pela ciência aberta.

Eu e o professor Marcos V. C. Vital então fomos lá mostrar nossos pontos de vista sobre por quê/como/quando fazer ciência aberta pra um monte de gente legal. Uma coisa muito importante: mais da metade do público do XIIICEB era composto por alunos de graduação. Imagino que esta proporção tenha se repetido no público que compareceu à mesa, o que é sensacional, já que é essa galera que tem a faca e o queijo na mão para chegar no sistema mudando tudo.

Parte do público lindo que estava na mesa redonda. ❤

O professor Marcos hoje é uma referência no assunto e tem plantado sementinhas de ciência aberta lá em Alagoas (e agora no mundo). Então ninguém melhor do que ele para abrir a mesa mostrando o que é e como funciona a ciência aberta. Rolaram fárias dicas de ferramentas que a gente pode usar para fazer ciência aberta com segurança e como tudo isso pode ser bastante benéfico para a nossa carreira. Ele também fechou a mesa mostrando como a crise da reprodutibilidade (ufa!) na ciência pode ser contornada com muita transparência e controle de versões. Como sempre, palestras sensacionais, cheias de memes, que tornam impossível a gente sequer olhar pro relógio pra ver se está acabando.

Fessor Vital fazendo o revolucionário com essa linda camisa da Aliança Rebelde.

Daí eu tive que subir lá, né, nervosona mesmo e tudo. A minha ideia era mostrar para as pessoas como divulgação científica é uma ferramenta de empoderamento, tanto para o cientista que produz quanto para os consumidores deste tipo de informação. Está tudo online aqui. (aham, fico mó sem graça de falar da minha parte, vamo mudar de assunto)

Gente, falar de divulgação científica é uma festa. Mas mais legal foi conhecer tanta gente interessada no assunto! Pessoas que já começaram, que querem começar, que querem voltar… Um monte de gente veio me pedir dicas sobre como começar e como melhorar na divulgação científica. Prometo fazer um textinho sobre isso qualquer dia, e prometo que será colaborativo. Aguardem. 😉

Deixa eu aproveitar aqui pra divulgar o Curta Biodiversidade, como prometi na palestra. ❤

Queria ter dado um abraço em cada um que veio falar comigo sobre a mesa, em cada um que estava lá. Se você é uma destas pessoas, sinta-se abraçada. ❤

O after

Depois da mesa eu pude curtir o congresso com mais tranquilidade e com uma sensação maravilhosa de missão cumprida a tiracolo. Assisti a mesas redondas sobre seleção sexual (mesa ma-ra-vi-lhosa com o Paulo Enrique que eu conheci quando eu era criancinha defendendo o TCC e o Gustavo que eu conheci no aeroporto), sobre macroecologia (que merece também o seu texto separadinho) e sobre estudar ecologia e evolução com genomas, todas as plenárias e todos os happy hours.

Quero destacar a plenária sensacional da Ana Carnaval. Ela contou uma história, como toda palestra deveria ser. Mostrou as histórias por trás dos famosos artigos. E, mais importante, mostrou que aprendeu com todos eles. Falar dos próprios enganos e aprendizados para um público majoritariamente composto por jovens cientistas, sendo ela própria uma grande cientista, foi algo que me tocou. Porque é nesse mundo onde só mostramos nossos acertos e conquistas que estamos cultivando gerações inteiras de jovens cientistas com problemas de saúde mental porque acham que não podem errar, que são piores que seus colegas. Se eu já a admirava antes com suas ideias que influenciaram tanto a minha carreira, hoje eu a admiro ainda mais e espero ter essa sensibilidade um dia.

ATÓÓÓRON ❤

Outra coisa que eu quero destacar: a galera dos banners. Eu adoro sessões de pôsters e apresentações orais em eventos científicos, é um troço que me emociona de verdade. Acho mó bonitinho ver como cada um ali tá orgulhoso do próprio trabalho e se esforçou para comunicar a ciência que produziu. Muitas vezes é a primeira apresentação de resultados daquela pessoa, tem gente que fica nervosa, tem gente que estuda antes… Fica explícito o esforço por um bom trabalho. Eu acho um barato! Sem contar que tem tanto trabalho interessante, tanto papo legal que rola, que quando acaba eu fico triste!

As horas livres foram as mais amorzinho de todas! Teve flashmob com Evidências no meio do coffe break, teve música ao vivo, chopps variados, creme de café, e foi a hora de matar a saudade de todo mundo e conhecer melhor quem eu não conhecia (por exemplo, o Felipe Costa, que escreve livros muito legais sobre ecologia e evolução).

Novos e antigos amigos ❤

Esse foi o meu XIIICEB e IIIEcoEvol. Cheio de sonhos, “ciência, gente bonita e amor” (quem foi que falou isso mesmo?). Que venham mais e que todo mundo se encontre de novo por esse mundão afora!

E o seu XIIICEB, como foi?

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