Marcas de domingo

Está feito. O café.

— Vem. Tudo pronto na cozinha.

— Você sabe que eu te amo?

— Sei. Mas estou morrendo de fome. Levanta!

— Tá tão bom aqui, me deixa ficar mais um pouquinho!

— Não, deixa de ser preguiçosa. Vai, eu te ajudo — beijinhos no pescoço, no rosto, na testa, risos soltos, braços que apoiam, corpos caminhando colados. Começa um domingo.

Na cozinha.

Xícaras quebradas. Açúcar espalhado. Leite derramado. Mesa e cadeiras em assimetria. Geladeira, chão, azulejos manchados. Geleia de morango. A faca mal colocada no suporte. Suja.

Está feito.

Um cheiro ocre se espalha pela casa. Tira as roupas. Corta. Separa. Embala. Deixa no porta-malas. Abre as janelas. Recolhe. Limpa. Arruma tudo. Toca o celular. Lembrou:

— Hoje, os pais dela vêm nos visitar.

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