O poeta, o extraterrestre e a prostituta

— É uma página em branco onde dois corpos escrevem poesia.

Diante daquilo que lhe parecia um estranho objeto, o extraterrestre pensava na resposta do poeta. Lentamente ele se aproxima. E toca os lençóis da cama. Telepático. Ensimesmado.

Já tinha perdido a conta de quanto tempo nossas vidas se cruzaram. De quando aquilo — sim, “aquilo” — apareceu em casa e por aqui resolveu ficar. Nossa amizade era um tempo em suspensão. Eu sentia que não tinha passado, nem futuro. Sem começo, nem fim. Um eterno presente.

E aquilo — sim, “aquilo”, palavra sem gênero, porque eu não sabia se era macho ou fêmea, mas sabia que não era humano — parecia uma criança persistente, repetitiva. Perguntava tudo, sobre tudo e todos. E com a maioria das respostas — principalmente aquelas relacionadas a sexo, amor, paixão, dores da alma, corações despedaçados — ficava mais e mais confuso. Mas isso parecia exercer sobre ele um certo encantamento.

A campainha toca. Era Pryscilla, a garota de programa.

H. Z. Wendell > sobre o autor
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