Um dia eu volto

Tomo meu rumo. Atravesso a rua. Dobro a esquina. Saio da cidade. Ganho a estrada. O horizonte é tudo o que desejo ter neste momento.
Você fica, com sua rotina, sua hora pra dormir, pra arrumar a cama, hora de sentar à mesa, hora de fazer amor.

Ah, meu amor, pra viver não tem tempo certo, nem jeito, nem fôrma, nem ponto de equilíbrio. Amor é sempre doçura, sofrimento, caos entre a cabeça e o peito. Sou e sempre serei a força que desestabiliza, que te tira do sério, que te coloca na corda-bamba, que destrói o teu lugar-comum e te consome até as cinzas. Sou Yang, de sangue caingangue e alma bandeirante. Sou ao léu, do céu e do mel das paixões sem rédeas.

Sou da rua, da tempestade, da vontade de conquista de novos territórios. Alma de bicho solto sempre atrás do cio do mundo. Amo a debandada. Homem da estação, do sol, do inverno, do trem. Vida de quem vive de chegadas e partidas, vindas e despedidas.

Ah, meu amor, o ninho nunca foi o verdadeiro sonho do passarinho.
E tomo meu rumo.

Um dia eu volto. Cheio de histórias pra contar e beijos na bagagem, cada um com teu nome. Não me canso de ver o teu olhar dar uma festa toda vez que eu voltar… só pra eu tirar tudo fora do lugar.


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