Quando deixam de merecer tua poesia

Quando deixam de merecer tua poesia

não é porquê a inspiração acabou

que a fonte de escrever secou

é porquê na verdade

o sabor amargo que dá na boca

depois do ponto final

preenche as papilas com um pesado gosto que trava

mais do que o sabor dos beijos que minha boca pedia.


Quando do outro lado não há motivação

nem para lutar por aquele que mais mexeu com você

é hora de observar a desproporção evidente dos esforços.

Há de se notar que um enrijecer dos dedos aconteceu

e aquela poesia que das pontas florescia

agora se prepara para uma nova travessia.


É hora de reposicionar os dedos afiados

e refletir com carinho

se todo aquele esmero não entrou em desalinho

em uma verdadeira jornada de amor

de amor próprio.


Nada supera a frieza de uma desmotivação diurna

o silêncio de uma dia cheio, grita o desinteresse

distancia sim separa mais do que o orgulho

são crises internas que um o olho amador percebe

capta os nuances como quem vê uma placa de petri

e percebe que existências separadas

não tornam versos merecedores união.

E para um ser movido pelas energias do coração agora

paradoxalmente aderi agora ao meu lado racional

E decidi não mais as escrever sobre ti.

Não é que a inspiração acabou

é só que esse que os desse que vos amola

escolheu não viver por falar de dor

e sim dar belezas que a vida tem

mesmo sabendo que há beleza na dor

igual a dor do parto,

não do partir

mas do parto de ver nascer algo novo

vivo e desconhecido para todos.

não é que eu perdi a inspiração

é só que não mereces mais os poemas que um dia eu ainda hei de fazer.

Guarda os que tivestes com carinho, pois ali estava o que um dia eu já fui.

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