Revisitar
As vezes é como se o dia 30 de junho de 2015 não tivesse acontecido.
Hoje mesmo me peguei pensando na não existência desse dia, então, nesse momento, você ainda existia aqui.
Era tão real que eu poderia te ligar, a gente conversaria aleatoriedades sobre a vida. Então eu voltaria para o trabalho e a gente iria se ver no feriado quando eu fosse pra casa da mãe.
Mas, logo no instante seguinte, o dia 30 de junho já existia de novo, fui arremessada pra lembrança da rodoviária, pro desespero na voz da nossa irmã, até o momento em que segurei seu rosto, seria clichê demais dizer que estava frio?
Constantemente tenho essa confusão de sentimentos, momentos em que você existe e logo depois não existe mais, num curto espaço de tempo a gente se tem e você tá aqui pra me ouvir, mas, tão rápido quanto um respiro, tudo não passa de um devaneio.
A realidade não tem graça, meu irmão, pois você não existe nela, e eu preciso ficar lhe reinventando diariamente.
