Está fadada ao fracasso a esquerda que não está em sintonia com os militares de seu povo!

A repulsa — por parte da esquerda brasileira — a qualquer pessoa, símbolo, ou rigidez disciplinar, que sejam “alusivas aos militares” ou a organismos de “tipo militar”, é um dos elementos que corrobora para o fracasso político em que a esquerda se encontra hoje.

A maioria dos jovens das organizações sociais-liberais que se julgam como “ultrarrevolucionários” talvez não saibam, mas no século XX a esquerda brasileira teve uma grande intimidade com as bases das Forças Armadas do nosso país, e a partir disso, a esquerda brasileira logrou grandes feitos políticos.

O levante da Aliança Nacional Libertadora em 1935 foi realizado sobretudo pelos populares das bases das Forças Armadas, lembrando em muito os históricos levantes tenentistas na República Velha.

Em 1961, os militares e parlamentares já tentaram desde já um golpe de Estado contra Jango, que fora em grande parte impedido (ou no caso, “adiado” até 1964) pela Campanha da Legalidade. Tal campanha, foi um grande movimento político, liderado por Leonel Brizola, mas que teve também um papel destacado do General José Machado Lopes, que comandava um dos 4 exércitos brasileiros, e deixou o III Exército a disposição da resistência ao golpe contra Jango.

No próprio contexto pós-64, foram os militares que tiveram atuação mais destacada na resistência armada contra a ditadura. A consciência e a sintonia da esquerda e do movimento popular com os militares era tão grande, que a ditadura foi obrigada a fazer uma verdadeira “limpeza ideológica” no Exército, prendendo, afastando ou escanteando os militares que fossem nacionalistas sinceros, permitindo apenas ou aqueles que fossem submissos a linha do “Tio Sam” ou aqueles que fossem patriotas vazios (sem senso de defesa da soberania nacional).

Grandes quadros da esquerda brasileira foram militares ou ex-militares.

- Nelson Werneck Sodré (de proeminente carreira militar, quando se afastou do Exército, saiu na patente de Coronel);

- Luiz Carlos Prestes (tenente engenheiro ferroviário, chegando a ser capitão e líder da conhecida “Coluna Prestes”));

- Carlos Lamarca, (promoção post-mortem a Coronel ainda em discussão);

- Pedro Lobo (sargento da Força Pública Paulista);

- Osvaldo Orlando da Costa, “Osvaldão” (bem depois de se tornar oficial de reserva do Exército tentou preparar as bases para um foco guerrilheiro no Araguaia);

- entre outros.

Esta “nova esquerda” que tem repulsa a tudo aquilo que é “disciplinado”, “hierarquizado” é justamente a “esquerda” que está levando o povo brasileiro a derrotas atrás de derrotas. Ela não só “deixa de bandeja” a consciência dos trabalhadores brasileiros para a direita e o entreguismo, mas chega a fazer pior com os militares, não apenas os deixando de bandejar, mas os EMPURRANDO para serem cooptados ideologicamente por uma perspectiva antinacional e ‘vende-pátria’.

A necessidade de tentar contemplar os militares de base — como os soldados, os tenentes, e todos aqueles que possam serem ganhos para a verdadeira causa nacional — é uma tarefa “pra ontem” da esquerda brasileira, que tem sido negligenciada de todas as formas possíveis.

Todos nós, o povo brasileiro, nunca levaremos adiante a causa popular e nacional sem nossos militares!

Nós nunca levaremos adiante a libertação nacional do jugo imperialista sem os militares do povo que sejam autênticos nacionalistas!

Está fadada ao fracasso a esquerda que não está em sintonia com os militares de seu povo!

Está destinado à vitória, o povo que tem uma esquerda política em sintonia com os sinceros patriotas do Exército de sua nação!

Sem os autênticos soldados do povo não há Revolução! E sem Revolução não há Libertação-Nacional!

Gregório d’Amorin Kurtz, 29 de Agosto de 2016.