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Aprenda a fazer um manual de identidade visual completo.

Gregory Buso
Jun 23, 2017 · 7 min read

Olá caro leitor e leitora, como vai?

Estava finalizando alguns projetos e me veio em mente a seguinte ideia: contar de maneira simples e fácil a produção de um manual de identidade visual completo.

Mas por quê? Bom, infelizmente não são todos os clientes que pedem manuais e, contudo, não são todos os designers que se propõem a fazer. E é justamente essa a questão, além da importância de explicar o comportamento da ID (Identidade Visual) o que mais é preciso para apresentar um projeto? O manual é um documento oficial do projeto onde outros profissionais irão consultar as idéias, então é necessário entender coisas como: Quais passos são necessários para fazer um manual de ID completo? Como começo e termino? Quais são os principais pontos que devem ter neste manual? Vou explicar todas essas questões em 20 passos para deixar os seus próximos manuais bem completos!

Antes de iniciar, vou lembrar de alguns pontos:

  • São 20 etapas e não necessariamente 20 páginas. Dependendo do conteúdo da marca o manual pode ser gigante ou bem raso. A questão é ter essas 20 etapas em mente antes de construí-lo.
  • Este artigo tem o foco na parte visual do Manual como um todo, ou seja, entende-se um manual completo é um manual de marca, diferente do manual de identidade visual. Nele encontra-se a personalidade, visão, missão, valores e tudo mais que envolva a marca, não é isso que você vai encontrar aqui.
  • Também não é o caso de desenvolvimento de style-guilde para aplicativos e dashboards, fica para uma outra oportunidade.
  • Um ponto interessante é se você não tiver conhecimento sobre manuais ou apenas falta de tópicos para que seu trabalho fique mais completo, cada passo aqui pode ser um bom auxílio. Esse é um método que sigo, não é uma regra absoluta, existem vários outros meios de produzir um manual de ID, e cada profissional tem o seu ok?

Tudo certo? Então vamos lá:

1. Início.

Como é um manual, nada mais apresentável do que ter uma capa e contra capa bem feitas e caprichadas para a ID não é? Utilizando os elementos mais interessantes a seu favor. Então aqui é sem segredos, na capa brinque com mockups, por exemplo, use aqueles com logo com relevo mostrando realismo tudo mais, é um ótimo jeito para fazer a primeira apresentação da identidade visual.

2. Apresentação.

Certo, o manual foi aberto. Nesta etapa ocorre uma breve apresentação do profissional que criou a ID e alguns contatos e informações de referência, coloque detalhes de versionamento da ID e data de quando o projeto foi feito, para quem foi destinado, propósito etc

3. Briefing.

A ideia do projeto veio de algum briefing certo? Costumo ter um pequeno resumo com alguns detalhes que me fizeram ter o insight para fechar o modelo dessa ID. Pode ser apenas um trecho com algumas linhas, em uma página apresentável nada muito complexo.

4. Apresentação.

Vamos falar sobre o logo agora, aqui é o primeiro contato então o objetivo é mostrar a versão completa e padrão, com as cores principais. Realmente uma página tipo “PÁ! O logo é este!” para ficar claro e objetivo qual é o principal elemento que vai representar esta identidade visual.

5. Versões principais.

Neste tópico você especificará em detalhes o porquê esse é o modelo principal, quais as características, e quais as regras de composição. Em todo o caso, você pode até mostrar a construção aqui (grid), porém prefiro fazer isso em uma sessão separada onde eu exploro mais a jornada criativa para justificar a tomada de decisão.

6. Versões responsivas.

Sem muitos detalhes nesta parte. Apresentação da versão responsiva da marca consiste no comportamento do logo em lugares menores e de pouca visibilidade, deve ser pensado em uma versão no qual ele fique visível quando pequeno. É interessante pensar fora da caixa na hora de pensar nesses modelos, pois o que importa aqui não são as regras de composição e sim a visibilidade, justifique o porquê o modelo está se comportando dessa forma também, vai agragar valor ao seu trabalho.

7. Composição (guide-line).

Esta etapa defino o “como” e o “porquê” construí o logo desta maneira, e na maioria das vezes quero mostrar alguma coisa que está dentro do ícone, por exemplo, usando algum elemento ou variável no cálculo do tamanho. Enfim o importante é mostrar o processo do grid para quem ler o manual consiga absorver 100% a ideia do momento que construí o logo.

8. Margens de segurança.

Todos os modelos de logo e suas variações/desdobramentos precisam da margem de segurança em qualquer peça que for usado. Neste ponto é bom especificar as margens em detalhes e os motivos daquele espaço de segurança na exibição de qualquer modelo, pois vai ser apresentado em itens impressos e tudo mais.

9. Paleta de cor primária.

Sem muitos detalhes a respeito de composição de cor, a apresentação da paleta de cor principal da ID é demonstrada em RGB ou popularmente Hexadecimal (web color) de uma maneira clara e visível na composição harmônica visual e quando for ser necessário reproduzir de alguma forma.

10. Paleta de cor secundária.

Demonstração da paleta de cor secundaria da identidade visual em RGB ou popularmente Hexadecimal (web-hex color). Tem como objetivo mostrar, complementar ou destacar as cores da paleta principal, por exemplo: usando harmonia em teoria das cores posicionando uma cor contrária da principal.

11. Paleta de cor em CMYK.

Normalmente junto esta etapa no momento que estou apresentando as cores. Na formação CMYK faremos a demonstração de quantos ‘%’ de cada pigmentação representa o resultado das cores da marca. Tudo isso é para peças impressas e físicas, para fim de respeitar a identidade visual. Uma dica: busque cores semelhantes à do projeto no livro Pantone e referencie no seu manual.

12. Versões variantes de cor.

As variantes têm o objetivo de demonstrar a aplicação das cores e como a identidade se comporta dentro do seu ecossistema. Por causa da hierarquia visual é importante que as cores tenham um dinamismo e é isso que é explicado aqui.

13. Versões monocromáticas.

Versões em preto e branco ou cores chapadas (flat), exibidas com o modelo principal do logo, porém sem meios termos em questão de cor. O objetivo é instruir caso haja necessidade de usar a identidade visual na situação onde precise de apenas uma cor o mais simples possível.

14. Tipografía da marca.

Demonstração do uso de como foi criada a marca baseada em uma tipografia. Quais fontes foram utilizadas, qual estilo aplicou e como chegou nesse resultado.

15. Tipografía para convencional ou para Web.

Essa etapa tem como objetivo mostrar toda a família de fontes destinadas a esta identidade visual, como usar as fontes no estilo normal, texto corrido, citações, títulos e subtítulos por exemplo. Tipografia direcionada na criação de documentos e artigos que exijam texto.

16. Features.

Este é o passo que mais varia de ID para ID, porque nele vai ser inserido os pontos que algumas têm e outras não, por exemplo, uma biblioteca de ícones (Iconografia), patterns, ilustrações, alguns estilos pré-definidos e por aí vai. A questão é não tem como prever exatamente a dimensão e a quantidade de conteúdo desta etapa, então é apenas ir acrescentando e descrevendo em detalhes, explicando e organizando da forma que foi definida e aprovada pelo cliente.

17. Como não usar a marca.

Na minha opinião o passo mais difícil e ao mesmo tempo divertido de se fazer, porque temos o objetivo de fazer algumas coisas para dizer bem claramente o que NÃO FAZER COM A MARCA! Mostrar que é importante respeitar todas as regras de composição de uma forma que esta as quebrando! Ou seja, cometa todos os erros mais absurdos propositalmente, como: esticar o logo, mudar a cor, usar fontes diferentes, tamanhos diferentes, versões antigas, desalinhar os shapes e tudo mais…

18. Como usar a marca.

Aqui gosto de fazer em duas etapas, a primeira uma página simples onde eu exibo todos os logos com todas as variantes, e depois nas páginas seguintes eu só coloco mockups usando exemplos e referências de como usar a marca corretamente. Em alguns tópicos também falo um pouco de regras de composição então vá o quanto quiser.

19. Conclusão.

Um texto explicativo das suas experiências e aprendizados no desenvolvimento do projeto, também pode ser uma conclusão e agradecimentos ao cliente ou empresa pela oportunidade e tudo mais. Faça o necessário aqui antes de fechar o manual.

20. Fechamento do manual.

Para fechar o manual: coloco uma página em branco, data do projeto, assinatura final e por fim capa de traz do manual e pronto. Fechado.

Obrigado por ler até aqui! É um prazer compartilhar as minhas ideias. Este assunto é um fator importante na hora de finalizar modelos de trabalho para alguma marca, espero ter ajudado e orientado a evoluir seu trabalho para um nível mais profissional neste guia.

Tem algum ponto que eu esqueci? Algo que seria interessante acrescentar? Mande seu feedback, não importa quando esteja lendo isso eu sempre irei te responder :)

BÔNUS: Tenho aqui um manual de identidade visual que consegui a autorização do cliente para deixar disponível em anexo com este texto. Separei aqui, espero que gostem.

Confira mais do meu trabalho pelo meu site portfólio, perfil no Behance e Dribbble. Para contato profissional o e-mail: oi@gregorybuso.com estou disponível para desenvolvimento de marcas e identidades visuais para empresas, produtos, serviços e pessoas.

Fico no aguardo! Até a próxima :)

Gregory Buso

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Designer & Creative — http://gregorybuso.com