Crônicas do Mundial (15/10): Status Quo

Royal Never Give up e SK Telecom T1, um confronto que fãs de League of Legends já viram acontecer no Mundial de 2013, o resultado foi o coroamento de Lee “Faker” Sang-hyeok como o melhor do mundo. Esses times já se enfrentaram inúmeras vezes, sempre em grandes competições e o resultado não mudava: SKT vencedora. Só que Cho “Mata” Se-hyoung e companhia não estavam nesse Mundial para serem reféns da história. Conseguiriam eles quebrar o Status Quo do League of Legends?

Essa edição do Crônicas do Mundial foi redigida pelo Celso Yokoyama que sabe mais desses times do que eu jamais saberei.


SK Telecom T1 x Royal Never Give up (Jogo 1)

Looper procurava por seu segundo mundial e não ia deixar a SKT parar ele — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 46:56
Vitória- Royal Never Give up (12 a 6 abates)
Bans:
SKT- Nidalee, Caitlyn, Syndra
RNG- Olaf, Elise, Ryze

Duke- Poppy x Jayce -Looper
Bengi- Lee Sin x Rek’Sai -Mlxg
Faker- Viktor x Vladimir -Xiaohu
Bang- Ezreal x Jhin -Uzi
Wolf- Karma x Zyra -Mata

Para o primeiro jogo, a RNG focou em escolher campeões fortes nas rotas do topo e de baixo. Com esse draft eles queriam reivindicar a vantagem o mais rápido possível e daí transicioná-la em controle de objetivos. O time chinês teve êxito em seu plano inicial e abriu uma vantagem convincente.
A SKT, mesmo bem mais fraca que os oponentes, conseguiu estabilizar a partida e vagarosamente começou a fechar a diferença. Os carries da equipe coreana em Faker e Bae “Bang” Jun-sik foram instrumentais na sobrevivência do lado azul. Porém, eles não conseguiram segurar os adversários por muito tempo. Quando o Barão foi roubado debaixo do nariz dos campeões mundiais, sua sentença começou a ser escrita.
Depois do Barão veio a luta no Dragão Ancião que a RNG ganhou levando de prêmio o monstro épico. Conseguindo quebrar o impasse, eles voltaram a destruir estruturas azuis. A última luta veio com o longo alcance do Jhin de Jian “Uzi” Zi-Hao combinado com a velocidade do fantasma do Vladimir de Li “Xiaohu” Yuan-Hao garantindo uma posição favorável para uma luta e consequentemente a vitória nela. A equipe chinesa traduziu o combate no fim do Nexus inimigo abrindo o placar com 1 a 0.

MVP: Jang “Looper” Hyeong-seok, Jayce (3/1/6)

O topo coreano da RNG abusou dos erros do oponente e abriu sua própria grande vantagem desde o começo do jogo. Ele excluiu Lee “Duke” Ho-seong da partida e constantemente empurrou as rotas laterais impedindo que o adversário o fizesse.


Royal Never Give up x SK Telecom T1 (Jogo 2)

Colocar Blank no lugar de Bengi mudou o jogo todo para a SKT — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 43:02
Vitória- SK Telecom T1 (13 a 3 abates)
Bans:
RNG- Ryze, Jayce, Elise
SKT- Nidalee, Caitlyn, Syndra

Looper- Poppy x Kennen -Duke
Mlxg- Olaf x Zac -Blank
Xiaohu- Viktor x Varus -Faker
Uzi- Ezreal x Jhin -Bang
Mata- Karma x Zyra -Wolf

Com Bae “Bengi” Seong-ung não sendo um fator no primeiro confronto, o primeiro movimento da SKT foi de trazer Kang “Blank” Sun-gu na posição de caçador. A decisão se mostrou correta. O titular sacudiu as críticas contínuas sobre suas performances e se mostrou muito mais agressivo e presente no mapa. A equipe da LCK ganhou uma grande vantagem para o atirador Bang e para o suporte Lee “Wolf” Jae-wan que usaram ela para obliterar as chances de Uzi e Mata de serem muito relevantes no jogo.
Enquanto o caçador titular melhorou a SKT para o segundo confronto, o topo, Duke, continuava a jogar duvidosamente e parecia dar chances para a RNG voltar. Para sua sorte, seu time conseguiu continuar a oprimir a dupla da rota de baixo do oponente. Além disso, a visão superior do time coreano assegurou que suas vantagens continuassem intactas. Seus controle de mapa e paciência foram essenciais para terem prioridade nos objetivos durante toda a partida.
A fase final do jogo foi um pouco monótona, com a RNG tentando defender sua base e a SKT fazendo a famosa dança do Barão, tentando forçar uma luta para quebrar o impasse. Depois de um pouco da dança, a equipe coreana achou a oportunidade para matar o monstro rapidamente. Em sequência conseguiram o Dragão Ancião também. Eles usaram as passivas adquiridas dos monstros épicos para abrir a base azul pela rota inferior.
O time coreano teve paciência para ganhar e o que ditou o final foi Blank encontrando Xiaohu na selva e matando o meio sozinho. Depois disso, a SKT foi pela rota do topo e depois pela do meio destruir todas as estruturas da base do time chinês empatando a série 1 a 1.

MVP: Kang “Blank” Sun-gu, Zac (3/0/4)

Mostrando presença no mapa e agressividade não acessados na fase de grupos, o caçador fez jus ao nome do bicampeão que substituiu e garantiu as vantagens iniciais para sua equipe. Além disso, ele estava posicionado sempre no lugar certo para que os objetivos desejados pela SKT fossem dominados. Foi seu pensamento rápido ao pegar Xiaohu desprevenido que definiu o jogo.


SK Telecom T1 x Royal Never Give up (Jogo 3)

Faker continua mostrando que é o melhor — Foto: Riot Games/Flickr

Tempo- 30:12
Vitória- SK Telecom T1 (21 a 8 abates)
Bans:
SKT- Caitlyn, Jayce, Kennen
RNG- Elise, Ryze, Nidalee

Duke- Gnar x Rumble -Looper
Blank- Olaf x Lee Sin -Mlxg
Faker- Syndra x Vladimir -Xiaohu
Bang- Ezreal x Jhin -Uzi
Wolf- Karma x Zyra -Mata

O draft para o jogo de número 3 da série foi estranho. Parecia que todos estavam com campeões com os quais se sentiam confortáveis, mas na realidade a situação estava bem mais favorável para o lado da SKT. Faker mostrou que não deveriam deixá-lo jogar de Syndra. A equipe chinesa foi demolida com os coreanos do lado azul não dando nenhuma chance deles abrirem sequer uma vantagem.
A ação começou na rota de baixo com um gank de Blank obtendo sucesso. Como uma repetição do que aconteceu no segundo jogo, a dupla Bang e Wolf garantiram que no confronto, os adversários de posições jogassem de trás. Já do outro lado do campo, no topo, Duke parecia ter se acalmado, jogava com muito mais paciência e conseguiu sair na frente de Looper. Enquanto no meio com Faker e Xiaohu, havia uma competição de matar tropas em que também foi a SKT que saiu ganhando.
Não houve lutas grandes, apenas pequenos conflitos que decidiram a maioria das vantagens da campeã mundial. No final, a pressão que a equipe coreana tinha nas rotas, com forte controle de visão e rotações foi muito para a RNG aguentar e, sem derrubar uma torre azul, eles viram seu Nexus ser destruído e a séria ser virada para o placar de 2 a 1.

MVP: Lee “Faker” Sang-hyeok, Syndra (6/3/4)

O rei da rota do meio teve pouco tempo na tela por estar em um combate contra um Vladimir, definindo poucas chances de abates. Porém, quando chegou a hora de focar nas torres inimigas para ganhar o jogo, o bicampeão mundial mostrou proficiência no campeão ao colocar dano para tirar os inimigos dos objetivos e explodir os jogadores vermelhos que chegavam ao alcance de suas habilidades.


Royal Never Give up x SK Telecom T1 (Jogo 4)

Depois de um susto no primeiro jogo a SKT está à caminho de Nova Iorque — Foto: Riot Games/Flickr

Tempo- 30:37
Vitória- SK Telecom T1 (22 a 9 abates)
Bans:
RNG- Ryze, Olaf, Syndra
SKT- Caitlyn, Nidalee, Jayce

Looper- Kennen x Irelia -Duke
Mlxg- Lee Sin x Elise -Blank
Xiaohu- Aurelion Sol x Malzahar -Faker
Uzi- Ezreal x Jhin -Bang
Mata- Karma x Zyra -Wolf

A escolha de campeões foi realmente equilibrada nesse jogo e, pela quarta e última vez na série, vimos o confronto na rota de baixo de Ezreal e Karma contra Jhin e Zyra. A SKT mostrou superioridade no embate final da série em termos de coordenação e controle no mapa. Mesmo assim, essa foi a partida mais competitiva do dia.
O começo do jogo foi explosivo na rota de baixo. Apesar do primeiro abate ter ido para Uzi, a SKT não deixou que ele traduzisse isso em mais vantagens e afetasse as outras rotas. Como os dois times reconheceram que a RNG deve jogar usando seus fortes jogadores nas posições atirador e suporte, as equipes se coordenavam para ajudar seus respectivos companheiros e deixar sua dupla com uma vantagem que aumentaria durante o jogo.
O Lee Sin de Liu “Mlxg” Shi-yu estava pegando fogo e, em várias lutas, não deixou que o oponente agarrasse facilmente o controle da partida, mesmo com as habilidades superiores da SKT como um time.
O ponto de quebra veio em uma luta em que as duas equipes se encontraram 5 contra 5 na rota de baixo, mas foi a SKT que comandou o combate chegando primeiro e levando 5 abates e a oportunidade de abrir o caminho para destruir as torres azuis. A jogada decisiva foi uma virada em uma teamfight no rio na parte superior, terminando na rota do meio: os campeões mundiais tiveram Faker sacrificado, mas ganharam a luta e traduziram ela em um Barão. Barão esse com o qual eles levaram 3 torres inimigas, ganharam mais um luta na selva do topo e voltaram para a base para se reagrupar e levar a rota do meio. Foi nessa reorganização para empurrar o meio em que eles acharam mais uma teamfight, um ACE e o final do Mundial para a RNG com um placar de 3 a 1 a favor dos agora semi-finalistas de 2016, SK Telecom T1.

MVP: Bae “Bang” Jun-sik, Jhin (7/1/8)

Bang começou a fase de rota vendo seu suporte morrendo, mas mesmo assim continuou calmo e esperou a ajuda de seu time para poder se recuperar no confronto. Sem contar uma vez em que foi pego indefeso, seu posicionamento para as lutas e para conquistar os objetivos foram essenciais para negar à equipe chinesa a chance de contestar a vitória da SKT.

Será que temos o nosso MVP do torneio? — Foto: Riot Games/Flickr

Jogador da série: Bae “Bang” Jun-sik (19/4/25, AMA: 11.0)

Bang pode ser considerado o melhor atirador do mundo para certas pessoas. Nessas quartas de final, com ajuda de seu suporte Wolf, derrotou Uzi e Mata, que podem ser considerados a dupla mais temida em questão de habilidade na fase de rotas. Além de já ser excepcional em sua visão de jogo ao se movimentar junto com seu time para assegurar objetivos, seu posicionamento nas lutas é consistentemente um dos mais pertos da perfeição para alguém em sua posição. Não só isso, Bang mostrou proficiência tanto em um campeão mais móvel com alcance menor que precisa acertar e desviar de ataques em movimento quando jogando de Ezreal. Quanto em um campeão com pouca mobilidade, maior alcance e com mais gerenciamento de recursos quando jogando de Jhin. Nessa série contra a RNG, ele fez grande parte da estratégia de seu time e se mostrou uma forte preocupação para quem achava que Faker seria o centro da equipe coreana.