Crônicas do Mundial (21/10): Titãs

Primeiro a Royal Never Give Up, agora os conterrâneos da ROX Tigers. A SK Telecom T1 mais uma vez reencenou uma “final adiantada” em sua campanha pelo Mundial de 2016. Os atuais bicampeões mundiais jogaram contra os atuais vencedores da LCK para uma vaga na final.

“Quero que a SKT sinta desespero” — Kim “PraY” Jong-in.
“Desde que Smeb roubou meu lugar como #1, eu fiquei muito desapontado. Então eu falei para mim mesmo ‘Vamos ser o #1 nesse Mundial” — Lee “Faker” Sang-hyeok.

O jogo tinha tudo para ser um show de League of Legends e não fugiu das expectativas.


ROX Tigers x SK Telecom T1 (Jogo 1)

Parecia ser apenas mais um jogo para Faker —Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 43:36
Vitória- SK Telecom T1 (12 a 6)
Bans:
ROX- Ryze, Ezreal, Syndra
SKT- Nidalee, Aurelion Sol, Jayce

Smeb- Poppy x Trundle -Duke
Peanut- Elise x Olaf -Bengi
Kuro- Viktor x Orianna -Faker
PraY- Caitlyn x Ashe -Bang
GorillA- Karma x Zyra -Wolf

A série começou bem para os dois times, as composições estavam equilibradas com as duas equipes escolheram campeões com os quais se sentiam confortáveis. Isso passou para dentro do jogo, no começo parecia haver um impasse em todas as rotas, enquanto na selva os caçadores brigavam por visão. Saíram alguns ganks aqui e ali, mas nenhum abate. Porém Bae “Bengi” Seong-ung abriu vantagem no mapa conseguindo aproveitar os ganks falhos de Han “Peanut” Wang-ho para roubar os monstros na selva azul, colocando sentinelas e forçando o oponente a responder aos seus movimentos.

A primeira grande luta veio numa reação rápida pela parte da ROX ao avanço na rota do meio da SKT. Com Song “Smeb” Kyung-ho teleportando para se juntar a seu time, os campeões da LCK saíram na frente com dois abates e asseguraram o Dragão Infernal logo após. Entretanto, os coreanos do lado vermelho se recusaram a perder o early game: na rota do meio Faker empurrou as tropas até derrubar a primeira torra do jogo; na inferior eles forçaram mais uma luta e, mesmo tendo um erro ao perderem dois membros por nada, conseguiram ganhar esse combate com três abates a dois e a torre. Isso abriu o mapa para a guerra pelos objetivos, onde um controle de visão superior brilha. Foi nessa fase que a equipe da SKT mostrou o que sabia, eles controlaram as rotas laterais e a visão na selva.

A SKT com seu melhor domínio no mapa conseguiu forçar os Tigers a não conseguirem contestá-los quando eles traduziram a vantagem estratégica em um Barão. Como consolo, Peanut respondeu conquistando o terceiro Dragão Infernal para seu time sozinho. A ROX segurou bem o jogo, não deixou que sua base fosse aberta e mantiveram a partida ainda contestada. Em um descuido surpreendente do lado vermelho, a equipe azul se juntou e levou o segundo Barão sem perder nada, foi então a vez deles começarem a aplicar pressão nas estruturas da SKT.

Depois que a passiva do monstro épico acabou, o jogo voltou a um impasse com a próxima luta sendo decisiva para a vitória. Este evento quase ocorreu na rota de baixo, mas para cortar perdas, Lee “Wolf” Jae-wan foi deixado para morrer por seus companheiros. O evento real aconteceu no rio inferior. A equipe vermelha chegou antes no Dragão Ancião e começou a matá-lo, os Tigers tentaram contestar mas acabaram por perder o objetivo, a luta e o primeiro confronto da melhor de 5.

MVP: Lee “Duke” Ho-seong, Trundle (4/0/5)

O jogador do topo utilizou muito bem da vantagem estratégica na visão de sua equipe, ele tem muito o que agradecer a Bengi e Wolf. A pressão que seu Trundle aplicou empurrando uma rota separado do seu time foi instrumental para a vitória. Ninguém conseguia pará-lo e nas lutas ele traduzia o ouro focado nele em ser um monstro que corria para cima dos inimigos e completamente anulava quem ele queria em cada combate.


SK Telecom T1 x ROX Tigers (Jogo 2)

Celso Yokoyama

Não, você não está vendo errado. GorillA escolheu uma MF suporte — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 33:18
Vitória- ROX Tigers (21 a 11)
Bans:
SKT- Aurelion Sol, Jayce, Jhin
ROX- Syndra, Ryze, Nidalee

Duke- Ekko x Rumble -Smeb
Blank- Olaf x Lee Sin -Peanut
Faker- Viktor x Karma -Kuro
Bang- Ezreal x Ashe -PraY
Wolf- Zyra x Miss Fortune -GorillA

Ninguém ainda tinha se recuperado da Miss Fortune que Kang “GorillA” Beom-hyeon escolheu na fase de picks e bans, mas não havia tempo para isso. Logo no começo da partida, assim que os caçadores terminaram suas rotas Peanut e Smeb já tinham conseguido o primeiro abate em Duke.

A história na rota do meio continuava a mesma, Lee “KurO” Seo-haeng estava com dificuldades contra o Viktor de Faker que já mostrava superioridade com um abate solo. Ao mesmo tempo, na rota inferior, Peanut foi pego fora de posição pela dupla da SKT. A ROX respondeu com uma visita de teleporte de Smeb que garantiu dois abates para si.

Pouco tempo depois e a dupla inusitada de Ashe e Miss Fortune mostraram do que são capazes com um combo que aniquilou a Zyra de Wolf.

Três parágrafos até agora… e nem havia se passado 10 minutos de partida.

A primeira torre foi para a ROX que focava seus recursos na rota inferior enquanto a SKT respondia com torres no resto do mapa. A primeira luta ocorreu quando os dois times se preparavam para o Dragão Infernal que fazia mais uma aparição na série. Smeb e a Tigers saíram na vantagem com 4 abates.

O jogo parecia ganho para a ROX, que precisava de uma vitória rápida já que sua composição possuía um “prazo de validade” e brilhava no mid game. A equipe desacelerou a partida e a SKT capitalizou no erro dos adversários para tentar voltar no jogo.

Foi depois de uma luta no Barão que a Tigers estaveleceu controle total pela partida, ganhando a luta subsequente perto do objetivo. Com alguns respiros dos bicampeões mundiais, a ROX conseguiu terminar a partida puxando a atenção da SKT para outros lugares do mapa enquanto destruía as estruturas da base adversária.

MVP: Song “Smeb” Kyung-ho, Rumble (7/1/8)

Para muitos Smeb é o melhor jogador do Mundo atualmente. Mas o jogador da rota superior da ROX Tigers não havia mostrado tudo o que tinha ainda nessa competição. Com um primeiro jogo meio apagado a segunda partida da série mostrou tudo o que Smeb é capaz de fazer. Destruir a sua rota e vazar a sua vantagem para o resto do mapa com seus teleportes sempre em dia.


ROX Tigers x SK Telecom T1 (Jogo 3)

Celso Yokoyama

Mais uma vitória e a ROX finalmente venceria os seus carrascos — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 36:16
Vitória- ROX Tigers (19 a 11)
Bans:
ROX- Syndra, Ryze, Karma
SKT- Aurelion Sol, Nidalee, Jayce

Smeb- Rumble x Ekko -Duke
Peanut- Lee Sin x Olaf -Blank
Kuro- Viktor x Orianna -Faker
PraY- Ashe x Caitlyn -Bang
GorillA- Miss Fortune x Zyra -Wolf

A SK Telecom deixou mais uma vez a Miss Fortune de GorillA passar nos picks e bans e o suporte não exitou em escolher a campeã. Dessa vez Bae “Bang” Jun-sik estava com sua Caitlyn, que conseguiu ligar melhor com o combo da ROX Tigers… isso até Peanut fazer uma visita a rota inferior e desequilibrar o duelo.

Wolf não estava em sua melhor partida. A Zyra era um alvo fácil para os dois atiradores da rota inferior (nunca pensei que escreveria isso em um jogo competitivo). Assim que a Flecha de PraY estava pronta, a ROX tinha confiança para iniciar uma luta.

Faker continuava sendo a esperança da SKT enquanto as rotas laterais estavam em apuros. Os times trocavam objetivos, enquanto o primeiro Dragão era da SKT, a ROX garantia a primeira torre.

A estratégia dos bicampeões mundiais parecia ser colocar Duke na frente, mas mais importante que isso, deixar Smeb sob controle. Infelizmente nada disso aconteceu. A ROX, que não estava sem seus problemas na partida assim como no jogo anterior, conquistou o primeiro Barão.

PraY continuou mostrando que conhece tudo o que tem para saber da Rainha de Freljord e tornava teamfights sem esperança em vitória para os seus companheiros de equipe.

O segundo Barão da ROX veio como um finalizador para o que se tornava uma virada no placar dessa semifinal. 2 a 1.

MVP: Kim “PraY” Jong-in, Ashe (5/2/12)

“O mundo todo em uma flecha”. A frase de Ashe não poderia ser mais verdadeira para PraY que não deixava nenhuma parte do mapa segura para os adversários. O atirador sabe os seus limites e os da campeã e transformou o jogo em um espetáculo de ser assistido.


SK Telecom T1 x ROX Tigers (Jogo 4)

Colocar Bengi. Foi o que Kkoma teve que fazer para ganhar a série — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 42:53
Vitória- SK Telecom T1 (20 a 5)
Bans:
SKT- Miss Fortune, Jayce, Aurelion Sol
ROX- Syndra, Ryze, Cassiopeia

Duke- Gnar x Rumble -Smeb
Bengi- Nidalee x Olaf -Peanut
Faker- Zilean x Viktor -Kuro
Bang- Jhin x Ashe -PraY
Wolf- Karma x Zyra -GorillA

Depois da SKT com Kang “Blank” Sun-gu perder dois jogos, eles decidiram por colocar o bicampeão Bengi de volta no time. Também tomaram outros cuidados ao banir a Miss Fortune usada pelo suporte GorillA e colocar em campo uma composição que conseguia facilmente desviar das flechas da Ashe de PraY. Porém, eles pareciam ter esquecido de banir a Nidalee, um campeão com o qual seu caçador estrela não tinha muita experiência, pelo menos no palco profissional. Eles foram forçados a pega-lá para impedir que Peanut o fizesse, pois é uma ameaça muito grande com ela.

O começo da partida foi completamente ditado por Bengi. Ele controlava a selva inteira com sua velocidade ao matar os monstros e de se movimentar para colocar sentinelas que o mantiam informado sobre a posição do adversário. O caçador da SKT fazia com que Peanut tivesse que constantemente tentar responder às suas jogadas e assim ele ficava sempre um passo a frente. A ROX tentou forçar uma jogada na rota inferior, eles conseguiram derrubar a primeira torre, mas quando a equipe azul chegou para responder ele perderam seu suporte e sua própria torre.

Esses acontecimentos aceleraram o jogo e o confronto foi levado para a guerra de visão, controle de mapa e pressão nas rotas laterais enquanto os times brigavam pelas estruturas na do meio. Não houveram muitas lutas nessa fase jogo, ao invés disso, ela foi marcada por pequenas vitórias do time azul: uma torre no topo, dois dragões, uma torre no meio, alguns abates rápidos possibilitados pelo dano de Bengi e a segunda torre de baixo. A partida estava vagarosamente saindo do alcance da ROX, a vantagem inimiga continuava a se distanciar. Os Tigers tentaram uma tentativa desesperada em um Barão, mas a SKT não só parou o Barão e ganhou uma luta 4 contra 5, Duke na rota de baixo conseguiu abrir a base vermelha levando o inibidor.

Os campeões mundiais derrubaram também uma torre da Nexus e o inibidor do meio deixando apenas o caminho do topo para eles acabarem com as estruturas do adversário. Eles seguiram ao assegurar o Barão e o Dragão Ancião, não dando chance para a ROX pararem eles no último avanço para fazer tocar Silver Scrapes nessa semifinal trazendo o quinto jogo para decidir o finalista.

MVP: Bae “Bengi” Seong-ung, Nidalee (6/2/7)

Bengi chegou para salvar o time, O jogador conhecido como a própria Selva deu uma forte atuação no seu primeiro jogo competitivo de Nidalee. Ele ditou a visão no começo da partida, não deixando que seus companheiros fossem pegos por Peanut. Ele controlou também os movimentos do adversário e ficou se fortalecendo com seus ganks e sua velocidade ao matar monstros dos dois lados do mapa. No controle de objetivos, o caçador rapidamente entrava e saia dos lugares que colocava suas sentinelas e estava sempre no lugar onde sua equipe queria ter domínio. Sua Nidalee foi central para a sobrevivência da SKT na semifinal.


ROX Tigers x SK Telecom T1 (Jogo 5)

Mais uma final. Será mais um título? — Foto: Riot Games/ Flickr

Tempo- 43:25
Vitória- SK Telecom T1
Bans:
ROX- Ryze, Syndra, Olaf
SKT- Miss Fortune, Nidalee, Aurelion Sol

Smeb- Jayce x Poppy -Duke
Peanut- Elise x Lee Sin-Bengi
Kuro- Karma x Orianna -Faker
PraY- Jhin x Ashe -Bang
GorillA- Zyra x Nami -Wolf

O quinto e último jogo da série colocou mais uma vez Bengi e Peanut um contra o outro. A história dessa série parecia ser que o novato não conseguia superar o veterano bicampeão Mundial. Mas Peanut não perderia sem lutar.

Para mostrar ao que veio, o caçador da ROX Tigers invadiu Bengi e conquistou o First Blood para si. Durante a partida inteira o time da ROX mantinha a visão no mapa constante para saber aonde o caçador da SKT estava e para onde ele iria.

Nada disso impediu Bengi de responder a agressividade de Peanut com ganks certeiros para as suas rotas.

Outro fato constante nessa série era que os jogos mais caóticos e rápidos davam a vitória para a ROX, enquanto os mais metódicos iam para a SKT. Só que isso não se aplicava nessa partida. Os dois, ao tentar colocar o seu ritmo na partida, respondiam a tudo o que o outro fazia na mesma moeda. O jogo era de qualquer um.

O cansaço parecia estar atingindo a ROX que tomava iniciações que poderiam ser facilmente evitadas com um Flash defensivo. Faker estava aterrorizando com a sua Orianna que não deixava passar em branco nenhum ultimate.

Mais uma vez a ROX conseguiu o Barão, mas a luta subsequente foi longe de ser limpa, o que colocou a SK Telecom na vantagem. Os dois times estavam em uma luta de atrito que aos poucos estava sendo ganha pela SKT. A Tigers buscava uma luta, mas os adversários estavam atentos e preparados para fugir de iniciações desvantajosas.

Barão e Dragão Ancião da SKT. Depois de “zerar o League of Legends” os bicampeões mundiais estavam em mais uma final.

MVP: Lee “Faker” Sang-hyeok, Orianna (1/1/8)

Nada tira Faker de uma final do Mundial. E quando se adiciona seu parceiro de sempre Bengi, essa frase é ainda mais verdadeira. O jogador da rota do meio disse que queria recuperar o título de melhor do mundo e depois dessa série não há quem fale que ele não merece esse título mais uma vez.

Bengi foi a chave da vitória da SKT — Foto: Riot Games/ Flickr

Jogador da Série: Bae “Bengi” Seong-ung (11/8/22, AMA: 4,125)

Celso Yokoyama

A melhor de 5 acabou 3 a 2 mas Bengi não perdeu um jogo. Se Peanut ao dominar Ming “ClearLove” Kai provou que merecia o título de melhor caçador do mundo, Bengi reafirmou que ele é A Selva e que nenhum dos dois considerados melhores que ele tinham passado dele na posição. Não é a toa que é o único bicampeão mundial ao lado de Faker, a coordenação dos dois juntos no mapa é de tirar o fôlego. Em um time cheio de estrelas com o meio e o atirador sendo considerados os melhores do mundo em suas respectivas posições, todos parecem brilhar ainda mais com o estilo e a liberdade de jogo que Bengi traz para a equipe. Ele merece ser colocado nessa série como o melhor jogador porque seus movimentos e seu controle de mapa foram essenciais para a estratégia da SK Telecom T1 e ele permitiu que essa fosse executada com perfeição. A Selva não parece estar contente com apenas dois títulos no campeonato e agora avança para a final do Campeonato Mundial de 2016.