“ Só se pode ter um coração aberto,
se um dia ele for partido.”*
Sempre pensei que coração partido fosse artificialidade literária. Nunca pensei e precisei me aprofundar na verdade poética de quem vive o romantismo. Mas há momentos em que a nossa essência sinaliza o que é preciso sentir, e com o que precisamos entrar em contato. Mesmo que seja a bad. Mesmo que seja o sofrimento. Mesmo que seja o passado ou o futuro mais que presente. Mesmo que seja preciso lutar contra esse ‘sentir’, depois. O contato é necessário. E permitir esse contato é descobrir-se. É permitir que se aflore a verdade. É como uma segunda adolescência. Não quero viver por ninguém ou morrer por alguém, mas gosto do sentimento. Qualquer sentimento. Isso me lembra que estou viva. Gosto de sentir, de saber sentir. Cuide — se. Cuide bem do que sente.
Certa vez me disseram: “Depois de várias tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.”
Verdade.