
Depois dessa noite, em especial, acordaram com uma tremenda ressaca. De tudo. Haviam se destruído. Olhar doía, comer doía, até dormir doeu. Não tinham mais nem a dignidade, o orgulho. Entretanto, ou talvez exatamente por isso, não choraram. Naquela noite, não derramaram lágrimas. Só insultos, palavras agressivas, tristes, raivosas, explosivas. E o desconforto era tamanho que não viam solução. Mas foram dormir. E o dia que veio provou-as erradas, com a covardia que se traveste de amor. Não falaram naquele dia. Deixaram seus lábios curar, calados, as tantas feridas, algumas abertas naquela mesma noite, algumas que apenas nunca tinham se cicatrizado. E choraram ao anoitecer. Por toda a inocência há muito perdida, pelas fotos que antes protegiam o que ainda havia de perfumado nelas, pela beleza que machucava.