dia 16. da camisola.

a roupa de uma mulher, a intimidade de uma mulher, dentro da roupa de uma mulher, é que se vai conhecendo uma mulher, se conhece muito dessa mulher. não só porque saberemos de seus gostos para tecido, rendas, babados ou sem babados, uma textura mais fina, suave, com mais camadas, que se tampe tudo, que não se tampe nada, um decote mais profundo na parte de trás, na parte de baixo, na polpa, sabe a polpa?, onde começa a curva que a gente geralmente vê quando se está ao pé da mulher, de um ângulo, eu diria, privilegiado, pois de lá, nessa parte de baixo da mulher, dá pra se ver muita coisa, pra se conhecer muito de uma mulher, da intimidade de uma mulher, um pouco mais dos pêlos, alguns cortados, outros nem tanto, outros sem nada, nada de pêlos, nem dos mais variados, que são aqueles que ficam perdidos na pele, quando a mulher não vê que ele sobrou ali, quando ele sobra ali, e ela passa a mão e se lembra da estupidez, de ter deixado ele ali e esquecido a pinça longe das mãos, longe do alcance das mãos, e daí ela se esquece e vem alguém, uma outra mulher, que também entende desse tipo de intimidade, e percebe tudo, percebe a estupidez, percebe que a pinça não alcançou aquele trecho, ou a cera, algumas fazem com cera, ou que o pêlo vai ficar ali, até a próxima cortada, ou que ela vai se incomodar por ter esquecido de tirar. o pêlo. a outra, que também conhece uma mulher, só observa, daquele ângulo lá privilegiado, observa seu movimento vagaroso, a cruzada de perna, tentando esconder o quê o pano que falta não esconde, a camisola de seda, um pano gostoso, como a pele dela, os pés dela, a polpa dela, a curva que se vê dali, do ângulo, do tudo, tudo, tudo é gostoso quando se pode passar a mão. ver com as mãos. com os olhos nem sempre satisfaz.