dia 6. as murchas flores.

a gente nunca sabe quando elas estão morrendo ou fingindo descanso.

em certa altura do dia — ou em certas vezes na vida — a gente passa horas sem querer acreditar que elas estão morrendo. das vezes que as coisas não vão bem e as coisas que estão vivas ao redor se esforçam para irem e bem, a gente passa horas sem saber em quê acreditar. das vezes em que a própria consciência se confunde em empreender o quê está vivo e o quê está morto deve ficar passado, chega a ânsia de lidar com o presente que nos força outra vez em sentar horas e observar. o ar seco a roubar as poucas águas que sobram nas folhas, o vaso que baixa o líquido que as umedece quando é esse ar que sente mais necessidade disso do que elas. nesse instante, ele rouba a vida e as faz murchar e nada desses fenômenos recebe consciência. a possibilidade humana de observar ou de atingir pensamentos que correspondam estado de inanição máxima em frear o cérebro, traça a diferença entre uma murcha flor, prestes a seguir ao lixo, e um homem com poder de mudanças no rumo do dia.

se falta o ar, não sobrevivem. se falta água, tudo é seco e sem sentido pois não há fluidez. se falta mãos para podá-las, o vazio do amor se reforça e daí a gente nunca sabe quando elas estão morrendo ou fingindo descanso. ou a gente sabe mas prefere acreditar que as folhas murchas, no dia seguinte, vão revigorar e florescer outra vez.