O que seria de mim sem ela?

Eu sempre fui apaixonada por aquela menina. Mas nunca cheguei a conhecer tão profundamente e ter real certeza desse sentimento. Até que um dia, ela me permitiu quebrar essa barreira que havia entre nós e então pude me aprofundar melhor em seu interior. E posso te dizer: foi a melhor pessoa que pude descobrir. Eu estou real oficial gamada nela!

Estávamos nós no mesmo espaço, porém distantes, mas ainda assim, nossos olhares se cruzaram; foi uma troca visual rápida, entretanto pude notar naquele rostinho um certo ar de cansaço, talvez um pouco enfadada desses dias meio cinzas… e eu te entendo, a rotina às vezes é cruel, há dias em que não temos energia, a lâmpada da alma desliga, e a escuridão de pensamentos negativos tomam conta de nós. Eu entendo, menina, pode crer que sim, mas te olhando daqui, mesmo percebendo esse fardo dos dias que carrega, você continua linda e emana uma força que mais tarde vai te reerguer.

Então, apesar de está tomada pela timidez, tentei me aproximar um pouco mais dela. Meio sem graça, mandei um sorriso; fui correspondida, e na mesma hora gritei um grande puta que pariu internamente — fui atingida sem ter direito de defesa, foi um tiro fatal e certeiro, fiquei paralisada com aquele sorriso — eu estava cansada também, talvez com a mesma sensação dela de ter tido um dia lixo, mas aquele sorriso me reergueu, trouxe luz, carinho, paz e aconchego.

Cheguei mais perto, e vi que ela ficou um pouco envergonhada assim como eu, até pensei em desistir, fiquei indecisa… mas aquela moça cheia de mistérios me instigava a querer descobrir mais. E eu fui. Falei “oi” e ela falou “oi”. Sorri novamente, e ela também, parecia uma brincadeira de pingue pongue, algo surreal, mas era algo bom e eu me sentia bem em estarmos em conexão e nos permitindo conhecermo-nos melhor. Parei naquele oi. Fiquei sem graça e sem assunto quando cai na real que ela estava ali. Travei, e agora? Permanecemos caladas, mas naquela situação, olhando uma para a outra, conversávamos milhões de coisas só pelo olhar. E foi assim, sem pressa, em sintonia e energia que meus olhos conversavam com cada detalhe do corpo dela.

A primeira parada foi nos teus cabelos castanhos ondulados, disse a eles que eram lindos, parecia que cada ondinha a deixava mais fofa e modelava cada curvatura daquele rostinho fino com o maravilhoso conjunto simétrico de olhos, boca e nariz que se encaixavam tão perfeitamente.

E naquela linguagem visual, propus conversar com sua silhueta — ela quis fugir com vergonha — me disse que não gostava do seu corpo. Achava que não se incluía nos padrões e sempre encontrava imperfeições no mesmo. Eu entendi, afinal, sou assim também, e isso é uma droga. Me senti mal e envergonhada em ter a deixado assim. Vou parar, não quero incomodar. Mas ela me olhou pensativa, voltou e disse: “tudo bem, eu topo”. E com cuidado, continuei. Olhei a cintura, e me perdi naquela curva. Elogiei. Ela não sabia que era tão fascinante assim, gostou de descobrir e sorriu. A barriguinha era a parte que menos gostava, mas não havia nada demais ali, haviam algumas dobrinhas, mas e dai? Falei para ela em tom de brincadeira que se pensarmos por um lado bom, aquelas dobrinhas eram a concretização de momentos prazerosos e felizes em que ela se esbaldou no sorvete, pizza ou um hambúrguer que tanto gosta. Rimos juntas.

Depois de tudo isso falamos sobre nossos hobbies… e que fantástico! Ela gostava das mesmas coisas que eu: vinho barato, cantar e dançar. Aproveitamos então, para botarmos nossos hobbies em prática e nos divertirmos. Comprei um vinho e botei uma música. Voltei, a encontrei do novo ali, no mesmo lugar. Bebemos, cantamos e dançamos. Ela me seguia, imitava meus passos, sorria olhando pra mim, e eu ficava encantada. Fizemos nossa própria festa. A palavra que nos definia naquele momento era sincronia e a sensação era de uma ligação maravilhosa. Eu estava completa, a companhia dela me bastava, me era suficiente e só. Mas chegou a hora de me despedir — “refletidamente”, apenas — por que eu nunca iria embora dali, meu coração ficaria com aquela moça. Eu sentia que queria ficar para sempre cuidando dela, a fazendo bem e feliz.

Foi então que beijei o espelho e em seguida disse: “você é linda, suficiente e incrivelmente capaz. Seja o amor da sua vida e lembre-se: nosso interior é um jardim de muita luz, por isso se ame, se cuide e essa luz sempre irradiará atraindo as pessoas certas para nossas vidas. Eu te amo!”

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