Pesquisa de perfil dos usuários de patinetes e bicicleta Yellow em São Paulo

Grow Mobility
Jul 4, 2019 · 7 min read

Grow, das marcas Yellow e Grin, apresenta pesquisa de caracterização dos (as) usuários (as), das viagens e de segurança na capital paulista.

André Kwak | Luiz M. T. Alves | Renata Greco

Entre 7 de março e 12 de abril de 2019 usuários (as) de bicicleta e patinete da marca Yellow foram convidados (as) para participar de sua primeira pesquisa de caracterização com perguntas de múltipla escolha sobre o perfil dos (as) usuários (as), das viagens, migração e integração modais, e percepção de segurança.

Ao todo foram recebidas 3.274 respostas de usuários (as) de bicicleta e 4.302 respostas de usuários (as) de patinete, utilizando uma amostra proporcional entre os dois modos de transporte e por subárea do perímetro total de atuação da Yellow na cidade.


Características dos (as) usuários (as)

GÊNERO: a pergunta inicial foi sobre o gênero das pessoas, enviada no momento que abriam o aplicativo. Entre os (as) ciclistas, cerca de 29% se identificam com o gênero feminino, enquanto para usuárias de patinete essa proporção cai para cerca de 24%. A resposta “Outros” foi menor que 0,5% em ambos modais.

Apesar do volume de mulheres ser inferior aos homens pedalando e usando patinetes, a proporção é mais equilibrada do que a contagem realizada pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade) na Av. Faria Lima em dezembro de 2018. Se extrairmos as respostas em finais de semana, a proporção de mulheres aumenta ainda mais, cerca de 33% e 28%, para bicicletas e patinetes respectivamente.

IDADE: o Banco de Dados Grow já possui a idade das pessoas, logo não foi necessário perguntar essa informação no questionário. Analisando os (as) usuários (as) que realizaram viagens em maio de 2019, verificamos que cerca de 55% dos (as) ciclistas e 45% dos (as) usuários (as) de patinete têm idade até 30 anos e mais de 70% têm entre 21 e 40 anos, conforme o gráfico a seguir.

RENDA FAMILIAR: na amostra da pesquisa, foi possível entender diferenças de perfil dos (as) usuários (as) entre os dois modos de transporte. Enquanto cerca de 52% dos (as) ciclistas têm renda familiar até cinco salários mínimo, aproximadamente 62% das pessoas de patinete têm renda familiar acima de cinco salários mínimos.

As rendas familiares pesquisadas, convertidas em classes sociais — relação obtida a partir do Critério por Faixas de Salário-Mínimo (IBGE) — apresentam forte relevância das classes C e D, com cerca de 56% dos (as) usuários (as) de bicicleta e 48% dos (as) usuários (as) de patinete.

ONDE MORAM? 65% dos (as) ciclistas e 62% dos (as) usuários (as) de patinete moram fora do perímetro de atuação da Yellow, concentrada no eixo da ciclovia da Faria Lima, demonstrando o potencial de “última milha” dos equipamentos dockless na cidade de São Paulo. A pesquisa não deu aos usuários (as) a opção de responder sobre a residência em outros municípios da região metropolitana. Logo, deve-se considerar que usuários (as) nestas condições relacionaram os municípios em que residem de acordo com suas próprias percepções de localização em relação à capital.

OUTROS MEIOS DE LOCOMOÇÃO: entre os (as) usuários (as) de patinetes, 65% possuem automóvel e 9% possuem motocicleta própria. Dos (as) usuários (as) de bicicletas, 46% possuem automóvel e 5% possuem motocicleta própria. Trata-se, então, de serviços de deslocamento que estimulam a experiência de migração modal, principalmente em pequenos trajetos.


Características das viagens

MOTIVO: cerca de 42% dos (as) ciclistas que responderam a pesquisa usam as bicicletas para irem ao trabalho e 11% para ir para a escola ou faculdade. Recreação e compras somam 34%. As patinetes são mais usadas para o lazer com 46%, seguido do uso para o trabalho e educação representando, respectivamente, 31 e 6%.

As respostas variam muito entre os dias úteis e os finais de semana. Observando informações enviadas pelos (as) usuários (as) após viagens em dias úteis, 59% das viagens de bicicleta são de motivos trabalho e educação. Entre as patinetes esse tipo de viagem representa 43%.

Nos finais de semana a proporção se inverte. Dentre as viagens de bicicleta, 55% são de recreação, enquanto as patinetes apresentam quase 80% das viagens nesse motivo. Uma informação de destaque é a proporção de viagens de motivos trabalho e educação entre os ciclistas, que juntos somam 30%.

INTEGRAÇÃO COM ÔNIBUS, METRÔ E TREM: cerca de 57% das viagens de bicicleta e 37% das viagens de patinete integram com outros modos de transporte. Entre os (as) ciclistas, 30% também viajaram de metrô, 16% de trem e 21% de ônibus. Das viagens de patinete, 16% integram com trilhos e 10% com ônibus. Vemos nesses números importante indicação do potencial de integração da bicicleta e da patinete com outros modais de transporte de média e alta capacidades, solidificando o conceito de primeira e/ou última perna nos diversos trajetos das pessoas no seu cotidiano. Aprofundaremos essa questão nos próximos estudos da Grow.

MIGRAÇÃO DA CAMINHADA PARA A BICICLETA E PATINETE: na pergunta sobre migração modal, muitas pessoas trocaram caminhadas pela viagem de bicicletas (59%) e patinetes (58%). Analisando o perfil horário das viagens e às informações de integração modal, estima-se que grande parte disso diz respeito à pequenas viagens entre pico nas regiões de maior quantidade de postos de trabalho e, à última milha de viagens de transporte coletivo de massa. Trata-se então de uma melhoria no tempo e aumento do conforto na composição das viagens.

MIGRAÇÃO DO CARRO PARA A BICICLETA E PATINETE: outro dado importante é a quantidade de viagens de automóveis que deixaram de ser feitas devido à disponibilidade dos equipamentos Yellow. Cerca de 39% das viagens de patinete e 34% das viagens de bicicleta substituíram viagens de automóvel, reduzindo emissões de CO₂ e estimulando a prática de exercícios de milhares de pessoas. Por fim, 16% das viagens de patinete e 10% das viagens de bicicletas foram criadas pelo simples fato de haver o equipamento disponível, aumentando a mobilidade das pessoas.


Segurança

Os (as) usuários (as) de bicicleta e patinete Yellow, em sua maioria, nunca sofreram acidentes de trânsito. Dos ocorridos, o primeiro destaque é relacionado ao automóvel onde 12% dos (as) usuários (as) de patinete e 9% dos (as) usuários (as) de bicicleta já sofreram acidente. Cerca de 11% dos (as) ciclistas e 10% dos (as) usuários (as) de patinete já sofreram acidentes em modos ativos (caminhada, bicicletas e patinetes).

Por fim, foi realizada uma pergunta de opinião a respeito de fatores que aumentam a sensação de segurança dos (as) usuários (as) Yellow. As pessoas tinham que responder, ordenando entre 1 e 5 por ordem de importância — sendo 1 menos importante e, consequentemente, 5 mais importante. Os itens calçadas mais largas e planas e mais ciclovias e ciclofaixas no caminho foram os mais avaliados como mais importante, somando respostas 4 e 5.

Os itens velocidade reduzida de automóveis e ônibus e mais respeito dos motoristas são os que mais apresentam avaliações intermediárias. E, a disponibilidade de capacete é o item com maior quantidade de avaliações “menos importante” em usuários (as) de ambos os veículos, mas também o item com maior quantidades de avaliação “mais importante” entre os (as) ciclistas.

Adotando a pontuação da escala de importância nas respostas obtidas, foi possível fazer comparações mais diretas entre os itens. Para os (as) usuários (as) de patinetes e bicicleta, o que se classifica como maior segurança são calçadas mais largas e planas, seguido de mais ciclovias e ciclofaixas no caminho. Por fim, a disponibilidade de capacete em ambos os casos é avaliado como o item “menos importante”.


Considerações finais

A recente e rápida ascensão dos sistemas de bicicleta e patinete dockless no país traz um novo horizonte para a mobilidade urbana nas cidades brasileiras, podendo ressignificar consideravelmente os deslocamentos das pessoas, sobretudo com uma ampliação do sistema de micromobilidade e da infraestrutura cicloviária. A primeira pesquisa de caracterização — realizada pela Grow Mobility Inc. — apresentou algumas informações inéditas e muito úteis para avaliação do impacto nas cidades.

Os dados apontam para um sistema que traz mais acesso às pessoas, criando uma opção competitiva para a substituição das viagens de modos de transportes individuais poluentes. Tudo indica que há grande potencial de integração com o transporte coletivo, principalmente os de média e alta capacidade, reforçando a função de “primeiro e último quilômetro”.

Há também uma capacidade de gerar novas viagens que, à priori, não existiriam sem a disponibilidade e a praticidade deste serviço, apresentando-se como um importante parceiro para o aumento da mobilidade das pessoas. As próximas pesquisas, principalmente com a ampliação da área de atuação nas periferias (Zona Sul, Zona Leste e Zona Norte), trarão novos elementos com novos usos e perfil social desses modos sustentáveis.


Download: banco de dados

Grow Mobility

Written by

The Latam-based micromobility and payments holding

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