A pessoa

A pessoa caminhava pela rua. Ela caminhava porque precisava. O mundo não parava para sua dor. Quanto mais doía mais o mundo lhe engolia.

A pessoa caminhava pela rua. Era sua rotina. Ela não queria, mas tinha. Suspirou. A vontade de chorar ela engolia.

A pessoa caminhava pela rua. Uma sensação estranha. Já não era a sua dor. Algo lhe invadia.

A pessoa caminhava pela rua. Se sentia vigiada. Não estava mais ela e sua dor. Outro alguém lhe incomodava.

A pessoa caminhava pela rua. “Gostosa!”. Despertou. Virou: a sua bunda com os olhos ele comia. Cara de quem não gostou. “Vadia!”.

A pessoa caminhava pela rua. Mas nem isso ela podia.