PodQuest RPG

Capítulo 1: Escorpião Que Late Não Pica

O ano é 21XX. Sob a sombra constante do Pé-de-Feijão — o elevador espacial símbolo do avanço tecnológico da humanidade — quatro mercenários se acotovelam em meio à gentalha de New Angeles dentro de um bar sujo no submundo da cidade.

O que os trouxe até aqui? Certamente não foram os muitos charmes do local, que incluem a cerveja diluída, o fedor de mijo dos banheiros e a pasta comestível sintética sabor salgadinho de ovo cozido. Não, os quatro estão aqui, juntos, pela mais forte das motivações: a sobrevivência. Depois de alguns trabalhos em grupo nas últimas semanas, Six, Roy, Ai$ha e Dix sabem muito bem que as chances de ganharem alguns créditos (e se manterem vivos) nessa parte da cidade são muito maiores se permanecerem juntos. E se obedecerem a Big Willie.

Willie, o big boss da máfia local, não é visto em pessoa há algumas semanas, o que obriga Six e o grupo a negociarem com seu braço direito, Taylor, que tem mesa cativa no canto menos infestado de ratos do bar. Six — um cyborg mercenário que caiu nas graças de Big Willie — recebe de Taylor a próxima missão encomendada pelo chefão: escoltar um VIP e seu “pacote” até os escritórios da Opticon, uma espécie de instituto de proteção a whistle-blowers que possuem material comprometedor sobre as mega corporações.

Acostumado a esse tipo de serviço, o furtivo con artist Dix anota mentalmente as instruções de Taylor ao grupo: encontrar o VIP, que estará vestindo uma jaqueta preta e vermelha e um chapéu marrom, no clube The Gloom. Dix observa quando Taylor entrega a Six um pequeno cartão holográfico com a logomarca de Big Willie. “Isso servirá para que o alvo saiba que vocês trabalham pra nós”, explica o capanga.

Determinados a cumprir as ordens e recolher os 500 creds de recompensa o mais rápido possível, os mercenários deixam o bar rumo ao encontro no The Gloom. Dix tenta traçar um caminho mais seguro até o local, mas seu conhecimento dessa parte do submundo não é tão profundo, e o grupo se vê obrigado a cruzar o território da moto-gangue Los Escorpiones. Dix se pergunta se Pedro Escuelas, um velho conhecido que lhe deve um favorzinho ou dois, ainda é membro da gangue dos escorpiões.

A passagem do grupo pelas vielas do bairro segue tranquilamente até que eles se deparam com 6 ou 7 escorpiões e suas motos do lado de fora de um barzinho. Antes que possam ser vistos, os intrusos se escondem em um beco para formular um plano caso precisem confrontar os motoqueiros.

Dix decide usar seu kit de disfarces e alguns trapos encontrados no lixo para se fazer passar por um membro da gangue. Já Roy não teria a mesma sorte, pois é um andróide especialista em mecatrônica, impossível de se passar por um humano. Six pergunta a Roy se ele não consegue “se transformar em uma moto”, e os outros começam a rir, o que só causa mais confusão ao andróide. Roy se pergunta porque os humanos insistem em fazer piadas nos momentos mais inoportunos.

O grupo decide fingir que Dix, disfarçado de escorpião, está levando Six e Ai$ha até seu amigo Pedro Escuelas para uma suposta venda do andróide, que seria propriedade do “casal”. Eles tentam passar pela rua em frente ao bar evitando contato visual com os membros da gangue estacionados, mas um deles suspeita do grupo e se aproxima. Dix conta a mentira combinada, mas o escorpião duvida que Pedro Escuelas estaria interessado em comprar um andróide, já que a gangue, assim como muitos no submundo, odeia os cabeça-de-lata por roubarem empregos da população humana.

Os outros escorpiões se aproximam do grupo com uma postura desafiadora, e o conflito parece iminente. Dix tenta argumentar que Escuelas estaria interessado no andróide para desmontá-lo e usar as peças em sua moto, mas o escorpião, percebendo a mentira, parece pronto para “desmontar” Roy e seus companheiros ali mesmo. Nesse momento, Ai$ha decide tentar uma última cartada: ela inventa que Roy é um andróide de combate, e se os motoqueiros mexerem com eles, a jeripoca de aço vai piar. Para sorte do grupo, um dos escorpiões já tinha sido “apresentado” a um droid de combate no passado, com resultados bem roxos e doloridos, e por isso os motoqueiros decidem recuar e deixar o grupo seguir seu caminho.

Após sair da área sob comando de Los Escorpiones, o grupo atravessa uma parte ainda mais imunda da cidade. Em meio aos mendigos e cachorros fedorentos que habitam essas ruas, os mercenários se deparam com uma cena inusitada: o corpo inanimado de um runner, com os cabos de seu pad ainda conectados ao terminal público de acesso à rede.

Ai$ha, a jovem hacker ambiciosa do grupo, não consegue conter sua curiosidade em investigar o corpo do ex-colega de profissão. Assim que ela se aproxima, a causa mortis fica clara: os três tiros no peito e um na cabeça provavelmente tiveram algo a ver com isso. O grupo imagina que o recém-presunto deveria estar tentando fazer um upload rápido de algo de valor (um runner não usaria um terminal público como esse exceto em uma situação desesperada), e Ai$ha tenta, sem sucesso, hackear o equipamento do defunto. Resignada, ela “pega emprestado” o pad do morto e coloca na sua mochila para tentar extrair algo de valor no futuro.

Depois de mais alguns minutos de caminhada, os mercenários chegam finalmente ao The Gloom, e uma rápida escaneada do local revela uma figura de jaqueta preta e vermelha com chapéu marrom sentada em um dos booths no fundo do bar. Six e o grupo se aproximam do alvo, que não consegue esconder a voz gaguejante e o suor escorrendo pelo rosto. Inseguro, o VIP se questiona se não seria melhor vender seu “pacote” para alguma corporação interessada ao invés de carregá-lo até a Opticon. Percebendo a chance de participar nos lucros desse novo plano, Six pergunta ao alvo sobre a “comissão” que ele estaria disposto a pagar ao grupo, mas o VIP não cede à intimidação — afinal, ele já arriscara a própria vida algumas vezes para manter o pacote a salvo até agora.

Percebendo que não é uma boa ideia continuar discutindo a situação dentro do bar repleto de figuras escusas, o grupo e o alvo decidem seguir caminho. Mas antes que possam se levantar de suas cadeiras, um brutamontes de olhos penetrantes e gelados entra no bar, se aproxima do balcão e conversa com o barman, que aponta seu dedo indicador trêmulo na direção do booth onde o VIP se encontra.

O grupo se levanta e respira fundo. Ai$ha murmura para os outros: “Acho que um andróide de combate de verdade seria bem útil nesse momento…”

(CONTINUA EM BREVE)

Sistema Genesys Android

Rafa Kuhnen como GM
Thiago Lopes como Six
Vinicius Curto como Roy
Rodrigo Violla como Dix
Gilliard Lopes como Ai$ha

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Gilliard Lopes

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