CIBERBULLYING: No Universo das Blogueiras

Com quase 24 mil seguidores no instagram, Jamile Scarpi é capixaba, tem 24 anos, estuda marketing e oferece cursos de automaquiagem. Apaixonada por maquiagem e moda, sempre foi conectada às redes sociais e gostava depostar as produções de moda e alguns trabalhos de modelo. Há mais ou menos um ano e meio atrás surgiu a primeira proposta de parceria.

A capixaba percebeu que isso poderia se tornar mais que apenas um perfil em uma rede social, seria uma forma de trabalho. No Instagram ela posta seus looks, os lugares que frequenta, faz posts patrocinados. Foi através da rede que as pessoas começaram a olhar mais para ela. A partir do crescimento do número de seguidores e de seu poder de influência digital, surgiu então a ideia do site, que ela acredita ser o algo a mais. No blog tem as coisas que estão no Instagram, mais detalhadas. Jamile também é maquiadora, posta seus trabalhos e divulga os cursos de automaquiagem que oferece.

A Digital influencer afirma que trabalhar com internet, principalmente com moda, e sendo ela o “produto”, traz uma enorme exposição, e que para se submeter a isso, é preciso ser muito bem resolvida. Jamile nunca sofreu nenhum tipo de bullying nesse meio e teve, no máximo, que lidar com algumas pessoas falando que não gostaram de um look ou de outro. Mas essa realidade não é enfrentada por todas.

Instagram de Jamile Scarpin

Jamile é uma das muitas blogueiras espalhadas pelo mundo que trabalham na internet e uma das privilegiadas por não ter sofrido com as duras críticas e ofensas que as pessoas fazem nas redes sociais. Esses ataques são caracterizados como Cyberbullying.

Trata-se de um tipo de violência praticado contra alguém através da internet ou de outras tecnologias relacionadas. Etimologicamente, o termo é formado a partir da junção das palavras “cyber”, palavra de origem inglesa e que é associada a todo o tipo de comunicação virtual usando mídias digitais, como a internet, e bullying que é o ato de intimidar ou humilhar uma pessoa.

Foi o que aconteceu com a blogueira americana Em Ford. No seu canal no YouTube , ela costuma publicar tutoriais sobre como cobrir espinhas e marcas usando maquiagem. No entanto, ela resolveu fazer algo diferente, reunindo os piores e melhores comentários deixados em seus vídeos.

Em começou a postar selfies nas redes sociais sem maquiagem e, tempos depois, as mesmas imagens com maquiagem. No vídeo intitulado “Você parece nojenta”, ela compilou os comentários deixados por usuários das redes, desde os “haters” aos mais elogiosos.

Blogueira norte-americana, Em Ford.

No clipe, em que aparece inicialmente com o rosto natural, com algumas acnes, são exibidos comentários depreciativos e até agressivos deixados pelos seguidores, como o do título e “Não consigo nem olhar para ela”. Em seguida, a blogueira começa a se maquiar e os comentários mudam para elogios como: “Você é tão bonita” e “Você é perfeita”. No entanto, ao revelar o “antes e depois” do rosto com e sem maquiagem, Em também foi vítima de cyberbullying, com comentários como “Você usa muita maquiagem” e “Isso é propaganda falsa”.

Geralmente o ciberbullying parte de usuários anônimos, pessoas que sem se identificar acabam fazendo comentários que ofendem. Luiza Hermeneto tem 38 anos, é blogueira e faz muito sucesso no mundo da moda. Quando perguntada sobre como agiria diante de uma situação de ciberbullying anônimo, Luiza alega que não sabe como agiria mas que faria o possível para ignorar. O problema é que o ciberbullyng está mais comum do que se imagina, as pessoas tem se escondido atrás de celulares e computadores para maltratar outras pessoas por meio das redes sociais com comentários ruins.

OFENSAS ANÔNIMAS

Luiza Hermeto

Sobre essa exposição e declarações maldosas e anônimas, Luiza alerta “Não dá pra se esconder por muito tempo. É só experimentar fazer “uma cagada” que você irá ver a merda (desculpe a palavra) que vai dar. Conheço gente que fez besteira no insta, foi tão bombardeada que teve que deletar a conta”, conta.

A rede social para alguns é um momento de descontração e lazer, para outros é uma ferramenta de trabalho. É o caso de Luiza e também da blogueira Gabriela Mariah Kranz Varejão, ela tem 29 anos e há pouco mais de um ano transformou a vida pública em uma profissão.

Gabriela Kranz Varejão

A respeito do ciberbullyng que muitos artistas e blogueiros sofrem, Gabriela lamenta “É complicado, a rede social é muito positiva no que diz respeito à integração e como forma de marketing pessoal e para empresas. O problema é que deu voz a um bando de mal informados, maldosos e ignorantes. Muita gente com pouco conteúdo é muito tempo pra escrever e azucrinar a vida dos outros”, diz.

OPINIÃO DA PSICÓLOGA

A psicóloga Natália Laiber, explica a popularidade das blogueiras para todos os tipos de culturas mas que é impossível agradar a todos que a seguem. “Quando elas entram nesse mundo virtual com todas essas visualizações, curtidas, likes e afins tem que ter em mente que não vão agradar a todos! Um blogueira fit pode ser elogiada pelo corpo sarado e a alimentação saudável, mas pode ser criticada por seguidores de uma blogueira plus size… São pessoas diferentes que pensam de forma diferentes”.

“ Esse comentários maldosos e criticas podem mexer com a pessoa. Por mais que não seja alguém que influencie diretamente na sua vida. Você será sempre “julgada”, se engorda, emagrece, começa um namoro novo, termina o namoro, vai para certo lugar, usa algo que não esta na moda… tudo é motivo de julgar a pessoa. Quando isso acontece ela acaba não vivendo para você e sim para o outro, sendo outra pessoa, vivendo uma vida que seus “fans” esperem que você viva”.

COMO AGIR?

Cyberbullyng é coisa séria. A prática está associada aos crimes de Ameaça (art. 147 do Código Penal); Calúnia (art. 138 do Código Penal); Difamação (art. 139 do Código Penal); Injúria (art. 140 do Código Penal) ou Falsa Identidade (art. 307 do Código Penal).

Sofreu algum tipo de agressão pela internet? Veja abaixo como deve prosseguir:

  • Preservação das provas
  • Imprima e salve todas as ameaças recebidas: Além do printscreem das telas, não delete e mantenha o cabeçalho dos e-mails (onde encontra-se o endereço de quem enviou a mensagem), copie o endereço das páginas e guarde possíveis SMS’s recebidos. Entretanto, essas informações, por si só, não valem em um julgamento. É necessário que sejam autenticadas em um cartório para fazer uma declaração de fé pública de que o crime realmente existiu. Dessa forma, mesmo que o agressor apague o perfil ou a mensagem enviada, sua prova estará registrada e garantirá a materialidade do crime. Qualquer cartório tem competência para emitir uma Ata Notorial de que o crime existiu na Internet.
  • Procure uma Delegacia: com as provas do crime, procure uma Delegacia da Policia Civil para registrar a ocorrência. Devido à carência de Delegacias Especializadas em Crimes Cibernéticos no país, muitos crimes ainda não são denunciados. É importante que a vítima nao se sinta constrangida para fazer a denúncia. O Cyberbullying atenta contra a dignidade da Pessoa Humana e é crime previsto no Código Penal.
  • Denuncie no próprio site: Todos os sites, sejam contas de e-mails, redes sociais, chat rooms que possuem um espaço para a comunicação entre o usuário e o prestador do serviço
Cyberbullying é crime. Denuncie.
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