1º Encontro do GEFR na FFCLRP-Usp
Hoje, dia 29 de Agosto de 2017, aconteceu das 15h às 17h o primeiro encontro do Grupo de Estudos sobre Feminismo Radical no Centro de Vivência da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto — SP.
Após as apresentações pessoais, foi perguntado sobre conhecimento prévio de feminismo, a realização ou não das leituras indicadas e o interesse em participar do grupo. Iniciando a apresentação do texto “Feminismo Radical: Pensamento e Movimento”, de Elizabete R. da Silva, foram apontados cronologicamente o desenvolvimento, emersão e imersão de movimentos de luta por mulheres na Europa (principalmente França), EUA e, mais tarde, no Brasil.
Neste primeiro momento, as definições de Feminismo Liberal e Feminismo Radical foram discutidas de uma perspectiva de diferenciação dinâmica através da história. Os conceitos de “Primeira Onda” e “Segunda Onda” foram dialogados e seus alinhamentos ao liberalismo/socialismo, idealismo/materialismo, amplamente problematizados.
Posteriormente, foi levantada a questão de raso conhecimento sobre a interseccionalidade no feminismo e o feminismo negro; foram pensadas ações para a transformação desta realidade e definidas propostas que serão elucidadas ao final deste texto. O conceito de mulher como classe social e a insuficiência do marxismo para a libertação desta também foram tratados à partir de “A origem da família, da propriedade privada e do estado”, de Engels, à luz das críticas de Firestone.
Outro assunto que foi levantado após uma definição e reflexão sobre o Feminismo Radical foi a questão de gênero e seu debate na contemporaneidade; utilizando notícias atuais e vivências pessoais (reflexão coletiva), além da diferenciação das concepções e definições da Teoria Queer, reafirmaram-se, por fim, os conceitos fundantes do Radfem (vistos também no primeiro texto “Feminismo Radical: História, Política e Ação”, de Robyn Rowland e Renate Klein”) e ideias/ações, a partir da reflexão crítica da práxis de feministas radicais e ativismo feminista em geral, foram propostas.
Foi também discutido neste primeiro encontro o academicismo e/ou alinhamento neoliberal do feminismo pós-moderno. As divergências que geram desunião, exclusão e enfraquecimento da luta de mulheres para mulheres também foram apontadas. Embates acadêmicos e a Universidade como detentora de conhecimento, assim como difusora deste, no exercício de si para si foi alvo de críticas e culminou em proposições produtivas para o grupo em construção, ação e movimento.
Ao final, propostas, informes, convites foram feitos. Segue abaixo informações e definições importantes deste 1º Encontro do Grupo de Estudos sobre Feminismo Radical na FFCLRP, USP:
- Feminismo intersec: apesar de não termos vivência e o conhecimento limitado, é importante procurar e conhecer. Caso não seja possível a participação em reuniões/eventos/ações do feminismo intersec — indiscutivelmente respeitamos o espaço destas mulheres e de maneira nenhuma nos imporemos — a leitura, o material audiovisual e os relatos encontrados em mídias digitais devem ser fontes para a superação desta lacuna do grupo.
- É imprescindível que o Feminismo Radical esteja alinhado à teoria marxista. A abolição de classes não é suficiente para a libertação da mulher? Não. Mas a abolição da mulher como classe, do gênero e a destruição do patriarcado jamais se darão numa sociedade de classes; o capitalismo alimenta ambas as opressões. Participar, militar em movimentos pela abolição de classes é, sem dúvida, um caminho para os objetivos do Feminismo Radical; entretanto, este caminho tem SEMPRE que ser PRIORIDADE — não deixar o cansaço e a aparência de “lentidão” do radfem alinhar a luta a ideais social-democratas de igualdade ou limitar-se ao socialismo.
- Sobre as questões de gênero, acreditamos ser preciso repensar a forma de debate sobre o tema com outras mulheres. Não basta falar “gênero não existe” e não aprofundar a explicação, discussão e reflexão. E não adianta explicar, discutir e refletir sem agir na assistência de pessoas com “disforia de gênero”, sem o acolhimento, sem paciência. Entretanto, a firmeza contra a misoginia precisa continuar e se fortalecer, principalmente nesta era pós-moderna.
- Foi acordado a participação e oferecimento de auxílio a grupos já existentes de apoio a mulheres em Ribeirão Preto. O grupo de estudos ficará como encontro para o debate teórico e propostas de ação, não tornando-se uma entidade, coletivo ou unidade de ação independente. Acreditamos que a conjuntura atual pede mais a união e fortalecimento das mulheres, independente da “vertente” feminista, do que um novo grupo reduzido que não consegue se alinhar ou se fortalecer. Mesmo sabendo que haverá resistência e desprezo em nossa oferta de auxílio — uma vez que, atualmente, ter práticas alinhadas a teoria radical é ser demonizada e definida com termos misóginos — acreditamos ser a melhor maneira de iniciar nossa atuação em Ribeirão.
- Foi reforçado e relembrado inúmeras vezes que Feminismo Radical é, em si, ação. A teoria vem depois da prática, ser/ou não ser radfem não é algo que se auto-define através de alinhamento com concepções teóricas. Lutar por mulheres e depois entender sobre si; aprofundar-se teoricamente e produzir conhecimento sobre a mulher e sua auto-consciência é Feminismo Radical. Teoria é, sempre, a posteriori.
- Ponto de convergência final do grupo foi a necessidade de ações e reflexões além dos muros da Universidade. Definimos a proposta de atuação, ação e militância fora dos limites acadêmicos, com foco nas regiões periféricas e a situação da mulher nelas (mulheres em situação de risco, desempregadas, presidiárias, com relatos de violência doméstica, sem acesso a creches, etc). Dentro da Universidade nos limitaremos, talvez, com arrecadação de fundos para as ações citadas anteriormente; entretanto, pensamento e movimento serão construídos e realizados para mulheres que não usufruem dos nossos privilégios.
INFORMES:
- Hoje, às 19h, acontece o Cine de Visibilidade Lésbica do Coletivo Philomena:
https://www.facebook.com/events/988799994595017/?acontext=%7B%22action_history%22%3A%22null%22%7D - Após o filme haverá debate e, ao final, será realizado um Sarau de Visibilidade Lésbica no CV da Filô; declamação de poemas, apresentação de autoras lésbicas e performances musicais sobre mulheres.
- Amanhã, dia 30 de Agosto às 13h, ocorrerá um debate sobre diferenças de gênero em relação a Beauvoir e Butler na FDRP, USP. As 12h20 estaremos esperando o Circular na Cantina da Filo (Seu Zé) .
REFERENCIAS:
Textos da discussão (segundo o cronograma):
1 — “Feminismo Radical: História, Política e Ação”, de Robyn Rowland e Renate Klein.
2 — “Feminismo Radical: Pensamento e Movimento”, de Elizabete R. da Silva.
DOWNLOAD PDF: http://e-revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/viewFile/3107/2445
Sobre ENGELS: https://www.jurisway.org.br/v2/dhall.asp?id_dh=11198
Página do GEFR: https://www.facebook.com/gefrusprp/