por: Vitor Lugão

O Espírito Santo está repleto de cinéfilos, filatelistas e numismáticos. Ficou difícil de entender? Essas palavras complicadas, na realidade, possuem uma ligação com o universo dos colecionadores. Pela ordem, são os nomes recebidos pelas pessoas que se interessam por cinema, selos e cédulas. E não é só isso, ainda existem os multicolecionadores. Pessoas dedicadas a colecionar diversos tipos de itens e paixões.

No Estado, os colecionadores estão espalhados por todos os municípios e possuem acervos grandiosos, como os dos personagens dessa matéria. Mas não podemos esquecer os pequenos colecionadores, aqueles que reúnem itens específicos e de tiragem limitada.

Multicolecionador

Eurico Scaramussa é o que podemos definir como multicolecionador. Ele coleciona praticamente de tudo: filmes, pôsteres, selos, canecas, minerais, miniaturas e moedas. Mas acima de tudo, é um verdadeiro apaixonado pela sétima arte, um cinéfilo. E desde a década de 1970, a arte de colecionar o acompanha durante toda a sua vida.

O Cinéfilo

por: Gustavo Fernando

Talvez a fixação em colecionar tenha começado lá no passado. Mais precisamente em seu local de nascimento. Uma minúscula vila chamada Prosperidade, no Município de Vargem Alta, interior do Estado. Mal sabia o pequeno Eurico que o nome da região caminharia ao seu lado eternamente. Etimologicamente, a palavra se originou do latim prosperidade, que significa “obter aquilo que deseja”. Sendo assim, Eurico não poderia ter nascido em outro lugar ou não ter seguido os trilhos do seu destino, ser um colecionador.

Na adolescência, a “febre” foram os livros de bolso de faroeste, itens que guarda até hoje. Aliás, garante que foram esses pequenos livros de bolso que o introduziram a outro grande interesse, a literatura. Para se ter uma ideia de sua dedicação a arte literária, ele possui uma sala comercial exclusiva para acomodar todo o seu acervo e, ainda assim, falta espaço. São obras raras e de gêneros distintos: livros de arte, quadrinhos, romances, e claro, incontáveis obras relacionadas ao cinema.

De todas as suas coleções é ao cinema que dedica grande parte de seu tempo e também a maior quantidade de itens. E os números envolvendo esse fascínio impressionam. São aproximadamente 12.500 filmes já assistidos, 8.500 filmes na coleção e cerca de 5.000 pôsteres. E até quando se pensa em viagens, outra paixão do colecionador, o cinema está presente.

Recentemente, fez uma longa viagem pelos Estados Unidos, onde pode conhecer de perto o cenário de grandes clássicos do cinema. Como a cidade de São Francisco, Hollywood e a região de Monument Valley, um verdadeiro paraíso cinematográfico, que ficou imortalizado nas obras de John Ford. O parque federal, que fica dentro da reserva navajo, entre os Estados de Arizona e Utah, servir de palco para filmes como “No Tempo das Diligências” (1939), “Sem Destino” (1968), “De Volta para o Futuro 3” (1990), “Forrest Gump” (1994) e “O Cavaleiro Solitário” (2013).

Para Eurico, colecionar é um hobby e também uma consciente obsessão. E para ele, ser colecionador envolve dedicação, prazer, orgulho e amor. E afirma: o grande investimento não é o financeiro, é o cultural. E se vendesse toda sua coleção hoje? Amanhã começaria outra, assegura.

O Numismático

por: Júlia Diniz

Presidente da Sociedade Capixaba de Multicolecionismo, o aposentado Nilo Sérgio dedica grande parte do seu tempo ao seu maior “hobby”, colecionar moedas e cédulas. Mas com uma ressalva, só coleciona itens nacionais. Assim, se considera um pesquisador da história do Brasil, já que as moedas e cédulas são na realidade, importantes documentos históricos.

Nilo começou sua coleção na década de 1960 e possui aproximadamente mil itens, que atravessam toda a história econômica do país. Entre os artigos mais raros, estão as “Cédulas para Troco do Cobre nas Províncias do Império”, emitidas pelo Tesouro Nacional em 1833 e criadas para conter a grande quantidade de moedas falsas que circulavam pelo mercado brasileiro.

Quando o assunto é moeda, a coleção de Nilo Sérgio está completíssima. E onde se destaca a raríssima moeda de 20 reis, emitida em 1935. Outra raridade em sua coleção é a cédula de 200 cruzeiros autografada, conhecida entre os colecionadores como C097, a mais desejada para qualquer numismático.

Vinil

Charles Vasarhelyi, 55, coleciona de tudo. Chaveiros, bonés, selos, caixas de fósforo, mas sua grande paixão são os discos de vinil. E sua coleção passa dos 40 mil itens. E ele garante, faz questão de desfrutar desse acervo que reúne praticamente todos os gêneros musicais, e que também, representam a história musical do Brasil e do Mundo.

Além disso, Charles participa de diversas exposições e encontros de colecionadores por todo o país. Itens preciosos não faltam em sua coleção, mas cita um LP da Madonna como um dos mais raros. A razão? Foram poucos os exemplares comercializados no Brasil.

Charles Vasarhelyi, colecionador de vinil

por: Bruna Barbosa

Estampas Eucalol

O aposentado André Bresciani, 78, também se considera um multicolecionador. O seu acervo conta com selos, chaveiros, caixas de fósforos, 8 mil canetas, 3 mil lápis promocionais e aproximadamente 300 filmes de faroeste. Mas dedica grande parte de seu tempo a um item no mínimo inusitado, a coleção de estampas Eucalol.

Eucalol foi uma empresa de produtos de higiene pessoal, fundada no Rio de Janeiro, que inovou ao lançar no mercado estampas colecionáveis junto a sabonetes, se tornando grande sucesso entre os consumidores. Elas circularam entre 1930 e 1960, sendo impressas em cartão formato 6x9, apresentando na frente desenhos com temas variados e no verso um texto explicativo.

As estampas abrangem 54 temas, conduzindo seus colecionadores a viagens imaginárias entre animais pré-históricos, profissões, peixes raros, lendas do Brasil, episódios da história brasileira e monumentos da humanidade. Segundo Bresciani, foi através das estampas que descobriu as Muralhas da China, o Monte Vesúvio e o Taj Mahal. E um dos itens mais raros da coleção são as estampas que retratam os artistas do cinema.

A empresa Eucalol lançou 2544 estampas no mercado brasileiro, e Bresciani possui 2350 itens. O colecionador ressaltou que passou a se dedicar com afinco a coleção após se aposentar em 1996. Mas faz questão de fazer uma observação: só coleciona o que sempre desejou.

O Colecionador

Mas, afinal, por que as pessoas gostam tanto de colecionar coisas? Para alguns, é uma forma de investimento, para outros, uma forte demonstração de poder. Tem ainda aqueles que lutam para não deixar que o passado e as lembranças escorram por entre os dedos. Mas grande parte dos colecionadores afirmam que colecionar é simplesmente divertido. Uma grande paixão. Uma mistura de hobby e obsessão. E como vocês puderam ver ao longo da matéria, quase tudo é colecionável. E agregado aos altos custos para se manter as coleções, está uma evidente conotação de nostalgia, muita dedicação e paixão pela arte de colecionar.

Carrinhos

Quem disse que carrinho é coisa de criança? A maior coleção do mundo é do Libanês Billy Karam. Com 50 anos de idade, ele possui cerca de 30 mil miniaturas. Em 2016, ele entrou para o Guinness Book, o Livro dos Recordes, pela coleção.

Autografomania

Na verdade, o que menos interessa ao colecionador de autógrafos são as simples assinaturas. Os autógrafos mais interessantes são, às vezes, aqueles que não são formalmente assinados: notas de um compositor famoso, um rascunho de um grande escritor, o esboço de um artista genial, toda esta documentação privada, que não era destinada a ser divulgada, quase nunca têm assinatura, mas revela a personalidade ou a vida dela, além de suas inspirações, forma de pensar e de criar.

Cartões telefônicos

Quem nunca precisou usar um desses há alguns anos atrás. Antes da popularização dos celulares, os telefones públicos eram o meio mais comum para realizar ligações quando se estava na rua. Para isso era preciso dos cartões, que carregavam créditos que possibilitavam as ligações. Atualmente, essa prática foi se acabando e, hoje em dia, o objeto se tornou peça de coleção para pessoas pelo País.

Bibliofilia

Bibliófilo é a pessoa que coleciona livros ou tem um grande amor por eles. José Mindlin foi o maior colecionador de livros do país, chegou a acumular quase 40 mil volumes. Que incluíam obras de literatura brasileira e portuguesa, manuscritos históricos e literários, livros científicos e didáticos.

Coleção de Gibis

Os colecionadores de quadrinhos ainda não têm um santo protetor. Mas bem que poderiam eleger o norte-americano Davis Crippen para a função. Ele formou a mais rara coleção particular de gibis de que se tem notícia, tratada por anos com o carinho que se oferece a uma pessoa amada e, hoje, avaliada em milhões de dólares.

Video games

Os vídeo games tiveram seu auge nos fliperamas durante as décadas de 80 e 90. Era algo novo, uma diversão interativa com muita ação. No caso de Aaron Norton, ou como é conhecido na internet, NintendoTwizer, essa época não acabou. Ele é o maior colecionador de jogos de vídeo games antigos no mundo. Possui por volta de 7 mil títulos de consoles como o Super Nintendo, Master System, Mega Drive e Playstation, todos lançados nas décadas de 80 e 90.

Cartofilia

Cartofilia é a denominação que se dá ao colecionismo de cartões postais, hobby que está em expansão.Atualmente, a internet ajuda muito quem deseja receber postais das localidades mais variadas. Geralmente, o objetivo maior de um cartofilista é a obtenção de cartões postais do maior número possível de países, normalmente postais que contenham a foto de alguma paisagem ou construção, por exemplo. Mas há variações, como quem colecione postais mostrando animais, personagens de desenhos animados, midia cards, etc.

Filatelia

Popularmente conhecidos como colecionadores de selos. Selos dos correios, de países, cidades, do governo ou temáticos, todos esses, são objetos de coleção de um filatélico. Mas a prática vem perdendo força nas últimas décadas, com a diminuição no uso de cartas. Com isso, as peças ficaram mais raras e caras. O selo mais caro do mundo está avaliado em R$10 milhões.
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