FACE DO CAOS.
Olhos nos olhos.
g. 15–9–16.
Tenha calma, respire fundo. Tome aqui um cigarro, o isqueiro. Não precisa de pressa, não. O caos tem mesmo essa aparência assustadora. Não se intimide. A vida é feita de dor, mas também de um pouco de algo bom, alguma alegria. Tenha calma. É possível que você caia e é possível que você se machuque seriamente nessa queda, e é possível que você tenha tantos pesadelos com essa queda e com as outras quedas que virão, que você desista de dormir. Mas tenha calma. Fume seu cigarro. Pense bem, respire fundo. Olhe bem nos olhos do caos: você vê?
Você vê que você olha direto nos seus próprios olhos e o caos tem a mesma aparência do seu espelho? Tenha calma. Não é hora de desespero. É uma revelação. Uma descoberta. É como se você olhasse no espelho e todo medo e toda dúvida e todo ódio e toda inveja e todo rancor. Você vê, agora? Você vê que o caos não é tão assustador assim? Você vê que você e o caos têm os mesmos olhos verdes e o mesmo cabelo preto e o mesmo nariz grande e a mesma eterna expressão de dúvida e deslumbramento e expectativa e ansiedade e imbatível esperança no sofrimento? Tenha calma. Você consegue ver além da fumaça do seu cigarro que à sua frente está a sua própria imagem? Veja. Mire. Você não pode continuar desferindo socos em vão. Desperdiçando sua energia. Você não vai acertar ninguém. Sua luta é interna. É calada. E não há ninguém aqui fora para você culpar.
Você entende? Você entende que essa é a sua única chance de vencer? E também a única face capaz de te pôr de quatro como um derrotado. Você. E o caos, com seus olhos verdes.