TUDO PARECIA TÃO GRANDE

17–5–17, sp


Fiquei impressionado ao voltar àquela casa, que em minha infância tinha uma piscina enorme, em que eu prendia a respiração e metia a cabeça n’água, tomando impulso na beirada para atravessar toda a sua extensão sem respirar. Era um feito e tanto. Quando conseguia ir e voltar, então! Agora, voltando lá, percebi que a piscina é minúscula, que quatro passos meus a atravessam com folga. O que foi que aconteceu nesses anos?

O tempo passa e as coisas não só envelhecem e perdem a cor: elas diminuem. A piscina diminuiu. A minha avó está baixinha. Aquele muro enorme que eu sofria tanto para escalar e me ralava os cotovelos não é um palmo maior do que eu. Para onde estive olhando quando tudo isso aconteceu?

E quando eu estiver lá na frente, corcunda e careca, e velho e cinza, tudo será minúsculo. Cada prédio. Cada piscina. Cada problema estúpido. Meu medo é perder tempo demais tentando passar por cima disso tudo, perdendo aquilo que é mais importante e eu ainda não consigo ver.