Nada é mais vergonhoso do que uma luta comprida
Qualquer luta. De punhos, de facas, de armas, de palavras. É uma vergonha alheia terrível ficar vendo um embate entre duas partes que se arrasta muito além do seu início. As pessoas responsáveis por isso demonstram, ao que parece, um apreço pelo desconforto extremo do duelo que não me parece humano, muito menos saudável.
Pense comigo: luta-se sempre por alguma coisa. Algo que se deseja, ainda que se trate de algo imaterial — ter razão é o melhor exemplo desse caso. E por que não se luta mais? Fácil: porque lutar é ruim. Experimente desviar dos socos de outra pessoa e, ao mesmo tempo, tentar acertar os seus: é angustiante, doloroso, perigoso e estressante. Aquele que quer algo vai atrás do que quer pelo caminho mais simples; se ele luta, é porque não vê outra saída.
Quem descobre diante de si uma barreira na forma de um oponente valoroso precisa fazer uma escolha: continua em seu propósito ou, por causa dessa nova dificuldade, desiste dela? Se continua, busca então o meio mais rápido de acabar com o embate; se desiste, ao menos não perdeu nada. O jogo que não se disputa nunca se perde.
Mas eis que as duas pessoas, com intenções opostas, degladiam-se longamente. Nenhuma das duas conseguem o que quer, e as duas perpetuam a situação desagradável de não conseguir, com medo de perder o pouco que já conquistaram com seu sofrimento até aquele ponto. Desprezível a situação, desprezíveis aqueles que se permitem envolver nela. Dois cabeludos que, na briga pelo pente, arrancam um do outro todos os seus cabelos.
A boa pessoa é firme no que faz. Quando se propõe a lutar, derruba o oponente com agilidade; se vê que a luta é demorada demais, busca outro caminho (negociar, enganar, vai saber); ao perceber que a vitória é impossível, entrega os pontos com a consciência tranquila de quem sabe que fez a escolha certa.
Então quem são aqueles que lutam longamente? Os incompetentes. Os que são incapazes de resolver um problema com presteza. Os que se deixam, repetidamente, enganar por ilusões de vitórias possíveis. Os que não conseguem comparar com precisão a medida de um obstáculo à de suas capacidades. Os que, mesmo percebendo uma situação de prejuízo, mantêm-se em negação e continuam buscando uma conquista irreal. Ou — o que me parece o pior caso — aqueles que desenvolvem um apreço doentio pela luta. Lutar por algo é ruim, mas lutar por lutar é pior.
Se escrevo isso, é para mim mesmo, pois já me vi tentado a arrastar uma briga além do necessário. Desconfie de qualquer confronto que dure demais. Só brigue se não houver outro jeito. Quando avançar, ataque para derrubar em um golpe só. Se nada der certo, fique tranquilo: a luta demorada já é uma derrota.
O Bruce Lee e o Jackie Chan podem ser impressionantes nas telonas, mas não se engane. Na vida real, aquele que sabe lutar não perde tempo. Desconfie de quem desperdiça golpes. As brigas entre mestres ou não acontecem, ou, se acontecem, duram apenas segundos.