Mea pani

Panturrilhas em chamas. Ácido láctico, pelo o que se lembrava das aulas de biologia. As únicas interessantes o suficiente pra burlar o sono e se concentrar em qualquer que fosse a coisa.

O suor gelado fazia um caminho meio irregular pelos cantos do rosto até chegar no queixo. Fazia também a camiseta colar nas costas. Vez ou outra, segurava o guidom só com a mão esquerda. Puxava, desajeitadamente, o cabelo pra trás. A playlist tocava (sempre aleatoriamente) suas músicas favoritas. Gostava desse negócio de falta de previsibilidade.

Zigue zagueando entre carros e passando arriscadamente por cruzamentos movimentados, era incrível sentir o vento na cara. Tinha cheiro de maresia. O mais próximo de liberdade que conhecia.

Dobrou à esquerda na terceira esquina da avenida principal, desacelerou o pé, subiu a calçada num pulo. Mudou de marcha, passou o pé esquerdo por cima do quadro e desceu. Pendurou a bicicleta, desenrolou a corrente e passou o cadeado. Conferiu se estava tudo preso.

Subiu dois lances de escada, destrancou a porta, ligou o computador. Sentou. Conferiu a caixa de e-mails.

Tudo preso.

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